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Copom se reúne para decidir aumento da taxa Selic em meio a pressões inflacionárias

Comitê de Política Monetária pode elevar a taxa de juros em 1 ponto percentual, refletindo preocupações com a inflação

Banco Central se reúne para discutir aumento da taxa Selic em meio a pressões inflacionárias e incertezas econômicas - Imagem: Reprodução /  Marcello Casal Jr / Agência Brasil / Arquivo
Banco Central se reúne para discutir aumento da taxa Selic em meio a pressões inflacionárias e incertezas econômicas - Imagem: Reprodução / Marcello Casal Jr / Agência Brasil / Arquivo

Gabriela Thier Publicado em 19/03/2025, às 16h34


Em um cenário marcado pelo aumento nos preços dos alimentos e da energia, o Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central do Brasil (BC) se reunirá nesta quarta-feira (19), para deliberar sobre um possível aumento na taxa básica de juros, a Selic. Este será o segundo encontro sob a liderança de Gabriel Galípolo, o novo presidente do BC.

Se confirmada, esta decisão representará a quinta elevação consecutiva da Selic. De acordo com o mais recente boletim Focus, uma pesquisa semanal que consulta analistas de mercado, espera-se que a taxa seja elevada em 1 ponto percentual, passando de 13,25% para 14,25% ao ano.

No comunicado emitido após a última reunião em janeiro, o Copom já havia indicado que estava disposto a aumentar os juros básicos em 1 ponto percentual durante este encontro de março. O comitê justificou essa medida pelo agravamento das incertezas externas e os desdobramentos do pacote fiscal apresentado pelo governo no final do ano passado.

Ao final do dia, o Copom divulgará sua decisão. Desde que atingiu 10,5% ao ano entre junho e agosto do ano anterior, a Selic começou uma trajetória de alta em setembro passado, com elevações sucessivas de 0,25 ponto percentual, 0,5 ponto e duas vezes de 1 ponto percentual.

Perspectivas Inflacionárias

Na ata da reunião mais recente, o Copom expressou preocupação com a possibilidade de um prolongamento no ciclo de alta da Selic. Segundo informações do BC, as condições inflacionárias no curto prazo permanecem desfavoráveis, especialmente devido ao aumento nos preços dos alimentos. Mantido esse cenário adverso, a previsão é que a inflação permaneça acima da meta estabelecida pelos próximos seis meses.

O boletim Focus atual indica uma expectativa de inflação para 2025 em 5,66%, ligeiramente superior aos 5,6% registrados quatro semanas atrás. Esse patamar representa uma inflação acima do teto da meta contínua definida pelo Conselho Monetário Nacional (CMN), que estipula um alvo de 3% para este ano e permite uma variação de até 4,5% devido ao intervalo de tolerância.

Função da Taxa Selic

A taxa básica de juros serve como referência nas negociações de títulos públicos emitidos pelo Tesouro Nacional por meio do Sistema Especial de Liquidação e Custódia (Selic). Este índice é o principal instrumento utilizado pelo Banco Central para controlar a inflação. O BC realiza operações diárias no mercado aberto — comprando e vendendo títulos públicos federais — para garantir que a taxa de juros permaneça próxima àquela definida nas reuniões do Copom.

Um aumento na Selic visa conter uma demanda aquecida; isso impacta os preços ao encarecer o crédito e incentivar a poupança. Portanto, taxas mais elevadas podem também dificultar o crescimento econômico. Contudo, as instituições financeiras consideram outros fatores ao estabelecer as taxas cobradas dos consumidores, como risco de inadimplência e custos operacionais.

Por outro lado, uma redução na Selic tende a baratear o crédito, estimulando tanto a produção quanto o consumo e facilitando um controle mais efetivo da inflação.

As reuniões do Copom ocorrem a cada 45 dias. Durante o primeiro dia do encontro são apresentadas análises técnicas sobre as economias brasileira e global e as tendências do mercado financeiro. No segundo dia, os membros do comitê deliberam sobre as opções disponíveis e definem a nova taxa Selic.

Nova Meta Contínua

A partir deste mês, está em vigor um novo sistema de meta contínua que estabelece uma meta inflacionária de 3%, com uma faixa de tolerância que varia em até 1,5 ponto percentual para cima ou para baixo. Isso significa que os limites inferior e superior são 1,5% e 4,5%, respectivamente.

No modelo contínuo adotado, as metas são revisadas mensalmente com base na inflação acumulada nos últimos 12 meses. Assim, em janeiro deste ano se compara a inflação acumulada desde fevereiro de 2024 à meta estabelecida. O mesmo processo se repetirá nos meses subsequentes.

No último Relatório de Inflação divulgado pelo Banco Central no fim de dezembro passado, a projeção era que o IPCA encerrasse 2025 em 4,5%. No entanto, essa estimativa poderá ser ajustada conforme os movimentos do dólar e as dinâmicas inflacionárias observadas. Um novo relatório deverá ser apresentado no final de março.


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