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Petrobras Sinfônica faz nesta sexta-feira primeiro concerto imersivo

Imagem Petrobras Sinfônica faz nesta sexta-feira primeiro concerto imersivo

Publicado em 01/07/2022, às 00h00 - Atualizado às 23h05 Redação


Com 75 músicos, a Orquestra Petrobras Sinfônica realiza na noite de hoje (1º), ao vivo, seu primeiro concerto imersivo. A modalidade é inédita também no país. O espetáculo será às 21h30 no Qualistage, casa de espetáculos que fica Shopping Via Parque, na Barra da Tijuca, com transmissão ao vivo e gratuita em streaming 360º e online no YouTube da orquestra. A apresentação é para maiores de 18 anos, mas menores de idade podem comparecer desde que acompanhados dos responsáveis legais. Os ingressos podem ser adquiridos aqui.

O violista Fernando Thebaldi, um dos diretores artísticos da orquestra, disse à Agência Brasil que a “imersão” vem sendo elaborada já há algum tempo, desde que a pandemia de covid-19 levou as pessoas para um universo mais digital, mais virtual. “Um fenômeno que todos nós já experimentamos. O mundo já vinha em uma velocidade muito grande nessa direção. Tivemos que trabalhar com uma tônica digital mais forte a partir da pandemia, nos reinventando, com muitas gravações. O YouTube praticamente virou o nosso palco principal, sem a Sala Cecilia Meireles, sem os teatros.”

As ideias imersivas, tecnológicas, começaram então a surgir e ganharam corpo agora, ainda dentro da pandemia, mas com a adoção de todos os cuidados necessários, disse Thebaldi. Os músicos de sopro, por exemplo, continuam tocando com uso de barreiras de acrílico, por causa dos aerossóis.

Repertório

Para o concerto desta sexta-feira, foi selecionado um repertório diversificado, “que representa muito a orquestra, hoje, bastante plural“, destacou o violista.

Com o diretor artístico e regente titular, Isaac Karabtchevsky, a Petrobras Sinfônica tem um perfil mais clássico, com repertório variado dentro da música de concerto. “Mas ela é também popular, é rock and roll, é infantil. E, para hoje, selecionamos um repertório que vai desde Pássaro de Fogo, de Stravinsky; Trenzinho Caipira, de Villa-Lobos; Thriller, de Michael Jackson; além de Mettalica e Pink Floyd e Fazendinha, do Mundo Bita”. Na abertura, o maestro Felipe Prazeres dará boas-vindas ao público na forma de um avatar, em uma animação de realidade aumentada, com efeitos de luz e projeção mapeada ao fundo.

Fernando Thebaldi informou que serão usadas durante o espetáculo ferramentas tecnológicas, como o videomapping, com projeções em 3D; uma performance de tilt brush, com a artista plástica Vanessa Rosa, que estará em ação durante todo o concerto, pintando a realidade virtual com auxílio de óculos especiais. O tilt brush é um aplicativo de realidade virtual de pintura em 3D em escala de sala, disponível no Google e originalmente desenvolvido pela empresa Skillman & Hackett.

“A tão esperada realidade aumentada vai surpreender o público. O nosso maestro Felipe Prazeres já tem o avatar dele, que vai dar as boas-vindas ao público”, reforçou Thebaldi. Ele lembrou que quem estiver em casa poderá assistir ao concerto ao vivo, no canal do YouTube da orquestra. “Quem estiver em casa vai ter uma ferramenta a mais, que é uma câmera 3D em 360°. As pessoas poderão acionar essa câmera e passear pelo local, pelo palco”. O público de casa, de outros estados e também do exterior, poderá ter uma experiência tão imersiva quando ao vivo, garantiu o músico. “Não deixa de ser um espetáculo de cores, de surpresas. Estamos empolgadíssimos.”

Inovação

A inovação tecnológica estará por toda parte, do início ao fim do concerto, com múltiplas intervenções assinadas pelo Studio XR. Para cada música, haverá uma imersão diferente. Projeções durante todo o concerto vão intensificar a imersão e a experiência do público. Execuções mais graves ou agudas vindas dos instrumentos da orquestra poderão ativar ou controlar as animações, e algumas serão produzidas até como jogos, com botões de ação.

Dependendo do patrocinador da orquestra, que é a Petrobras, o concerto imersivo poderá ter novas apresentações, a preços populares, em locais como o Theatro Municipal do Rio de Janeiro. “A vontade é fazer [mais espetáculos]. Porém, o projeto demanda não só a orquestra, mas também equipes de outros elementos”, ressaltou Fernando Thebaldi. Pelo andar da carruagem, entretanto, ele disse acreditar que isso será possível repetir.

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