Ministério avalia que preço do imunizante não é compatível com o impacto da doença na rede pública

Letícia Sales Publicado em 14/01/2026, às 09h44
O Ministério da Saúde decidiu não incorporar a vacina contra o herpes-zóster ao Sistema Único de Saúde (SUS). A decisão foi oficializada por meio de portaria publicada no Diário Oficial da União e tem como base a avaliação da Comissão Nacional de Incorporação de Tecnologias no SUS (Conitec).
De acordo com o relatório técnico da comissão, embora o imunizante seja considerado eficaz e relevante para a prevenção da doença, o custo foi apontado como elevado diante do impacto esperado na saúde pública. A análise levou em conta principalmente o efeito orçamentário da vacinação em larga escala.
A vacina recombinante adjuvada é indicada para idosos com 80 anos ou mais e para pessoas imunocomprometidas a partir dos 18 anos. Segundo a Conitec, para vacinar cerca de 1,5 milhão de pessoas por ano, o custo estimado seria de R$ 1,2 bilhão anuais. Ao final de cinco anos, o investimento total poderia chegar a R$ 5,2 bilhões, valor considerado não custo-efetivo para os padrões do SUS.
O comitê reconheceu a importância da vacina na prevenção do herpes-zóster, especialmente em populações mais vulneráveis, mas destacou que seriam necessárias negociações adicionais sobre o preço para viabilizar uma futura incorporação. A própria portaria prevê que o tema pode ser reavaliado caso surjam novos dados ou propostas que alterem o resultado da análise.
O herpes-zóster é causado pela reativação do vírus da varicela, o mesmo da catapora, que permanece adormecido no organismo após a infecção inicial. A doença é mais comum em idosos e pessoas com o sistema imunológico comprometido. Os sintomas iniciais incluem dor, ardência, coceira, febre baixa e mal-estar, seguidos pelo surgimento de lesões na pele em apenas um lado do corpo.
Apesar de geralmente apresentar evolução benigna, o herpes-zóster pode provocar complicações importantes, como dores crônicas, alterações neurológicas, problemas oftalmológicos e auditivos. Dados do SUS indicam que, entre 2008 e 2024, foram registrados mais de 116 mil atendimentos ambulatoriais e internações relacionados à doença. Entre 2007 e 2023, o país contabilizou 1.567 mortes, a maioria em pessoas com mais de 50 anos, especialmente acima dos 80.
Atualmente, o SUS oferece tratamento conforme a gravidade do caso. Em quadros leves, são indicados medicamentos para alívio da dor e orientações de cuidados com a pele. Já em situações de maior risco, o tratamento inclui o uso do antiviral aciclovir.
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