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Novo tratamento infantil contra malária

SUS passa a oferecer novo tratamento contra malária para crianças pela primeira vez

Medicamento tafenoquina na versão pediátrica será distribuído inicialmente na região Amazônica e promete tratamento mais rápido e eficaz

Apesar dos avanços, a Amazônia ainda concentra a maioria dos casos de malária no Brasil, exigindo esforços contínuos de combate à doença - Imagem: Divulgação/Prefeitura de Manaus
Apesar dos avanços, a Amazônia ainda concentra a maioria dos casos de malária no Brasil, exigindo esforços contínuos de combate à doença - Imagem: Divulgação/Prefeitura de Manaus

Letícia Sales Publicado em 06/03/2026, às 09h40


O Ministério da Saúde iniciou a oferta de um novo tratamento contra a malária para crianças menores de 16 anos no Sistema Único de Saúde (SUS). A novidade é o uso da tafenoquina na formulação pediátrica de 50 mg, indicada para pacientes com peso entre 10 kg e 35 kg.

Até então, o medicamento era disponibilizado apenas para jovens e adultos a partir de 16 anos. Com a nova formulação, o Brasil se torna o primeiro país do mundo a oferecer esse tipo de tratamento para crianças.

A distribuição do medicamento começou de forma gradual, com prioridade para regiões da Amazônia, onde se concentra a maior parte dos casos da doença no país. Ao todo, serão inicialmente disponibilizados 126.120 comprimidos da tafenoquina pediátrica para ampliar o controle da malária no território nacional.

Segundo o Ministério da Saúde, o medicamento é indicado para pacientes diagnosticados com malária vivax (Plasmodium vivax), com peso acima de 10 kg, desde que não estejam grávidas ou em período de amamentação.

O tratamento também representa uma mudança importante no esquema terapêutico da doença. Até agora, os pacientes precisavam seguir um tratamento que poderia durar até 14 dias, o que dificultava a adesão, especialmente entre crianças.

De acordo com o ministério, “a nova apresentação do fármaco será administrada em dose única, o que proporciona mais conforto e praticidade para as famílias e profissionais de saúde, maior adesão à terapia, eliminação completa do parasita e a prevenção de recaídas”.

O órgão também destacou que “o medicamento contribui para a interrupção da transmissão da doença, possibilita o ajuste da dose conforme o peso da criança, garantindo maior eficácia do tratamento”.

Para a aquisição da nova medicação, o Ministério da Saúde investiu R$ 970 mil. Até o momento, 64.800 doses já foram recebidas e começarão a ser distribuídas em áreas com maior incidência da doença.

Entre os territórios prioritários estão os Distritos Sanitários Especiais Indígenas (DSEIs) Yanomami, Alto Rio Negro, Rio Tapajós, Manaus, Vale do Javari e Médio Rio Solimões e Afluentes. Essas regiões concentram cerca de 50% dos casos de malária em crianças e adolescentes de até 15 anos.

O primeiro território a receber o novo medicamento foi o DSEI Yanomami, que recebeu 14.550 comprimidos. A região já havia sido a primeira do país a receber a tafenoquina na dose de 150 mg, destinada a pacientes com mais de 16 anos, em 2024.

O Ministério da Saúde reconhece que o combate à doença na região enfrenta desafios estruturais. A malária é um dos principais desafios de saúde pública na região Amazônica, especialmente em áreas de difícil acesso e territórios indígenas, onde fatores geográficos e sociais ampliam a vulnerabilidade à doença”, destacou o órgão.

Além da distribuição do medicamento, o governo informou que continua reforçando ações de combate à doença, como monitoramento de casos, controle do mosquito transmissor, busca ativa de pacientes e ampliação do acesso a testes rápidos.

Os dados mais recentes indicam avanços no enfrentamento da malária. Entre 2023 e 2025, apenas no território Yanomami houve aumento de 103,7% na realização de testes e crescimento de 116,6% nos diagnósticos. No mesmo período, os óbitos pela doença caíram 70%.

Em todo o país, 2025 registrou o menor número de casos de malária desde 1979. Foram contabilizados 120.659 diagnósticos, uma redução de 15% em comparação com 2024. Nas áreas indígenas, a queda foi de 16%.

Apesar da melhora, a Amazônia ainda concentra praticamente todos os casos da doença no Brasil. No último ano, foram registrados 117.879 casos na região, o equivalente a 99% do total nacional.


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