Com três infecções confirmadas na Zona Norte da capital, governo federal recomenda aplicação emergencial da "dose zero" para conter o avanço do vírus

Letícia Sales Publicado em 29/06/2026, às 13h27
O Ministério da Saúde emitiu um comunicado de alerta reforçando a urgência da vacinação contra o sarampo na cidade de São Paulo e no município vizinho de Guarulhos. A medida foi tomada após a confirmação de que três crianças com menos de dois anos contraíram a doença na Zona Norte da capital paulista, na última sexta-feira (26). Devido ao intenso fluxo diário de pessoas entre as duas cidades, Guarulhos também entrou no mapa de recomendação prioritária do governo federal.
Para frear uma possível cadeia de transmissão, a orientação é aplicar a chamada “dose zero” em bebês que tenham entre 6 e 11 meses e 29 dias. Essa etapa funciona como um escudo extra para uma faixa etária considerada altamente vulnerável a complicações e hospitalizações causadas pelo vírus. É importante destacar que essa aplicação emergencial não anula e nem substitui as doses regulares previstas no Calendário Nacional de Vacinação, que seguem disponíveis gratuitamente na rede do Sistema Único de Saúde (SUS) para a população de 12 meses a 59 anos.
Paralelamente à imunização, equipes de saúde já iniciaram ações de vigilância epidemiológica em campo. O plano de contingência inclui a busca ativa de novos casos suspeitos, o monitoramento de pessoas que tiveram contato direto com os infectados e o bloqueio vacinal focado nas áreas periféricas e de risco onde os registros foram mapeados.
Risco externo e o cenário global
As investigações preliminares apontam que o contágio das três crianças pode ter ocorrido por meio de contato com viajantes vindos do exterior. O raio-X do surto local mostra que duas das crianças frequentavam a mesma creche, enquanto a terceira reside no mesmo perímetro geográfico.
Embora o Brasil tenha registrado 38 casos da doença no ano passado, o país ainda sustenta o status oficial de território livre de sarampo, uma vez que as infecções detectadas foram classificadas como importadas — ou seja, trazidas de fora.
O panorama, no entanto, é preocupante no restante do continente. A América do Norte enfrenta um forte repique da doença: o México lidera os registros deste ano com 11.771 casos, seguido pelos Estados Unidos, com 2.104 infecções, e pelo Canadá, com 1.073 notificações. Essa escalada global acendeu a luz vermelha na Organização Pan-americana de Saúde (Opas), que se viu obrigada a revogar o certificado do continente americano como uma região livre de transmissão endêmica da doença.
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