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Política

Guerra no Oriente Médio pode afetar custo de medicamentos

Secretária do Ministério da Saúde diz que conflito pode impactar custos e logística, mas não há risco de desabastecimento no momento

Fernanda de Negri, Secretária de Ciência, Tecnologia e Inovação em Saúde do Ministério da Saúde. - Imagem: Reprodução/Ministério da Saúde.
Fernanda de Negri, Secretária de Ciência, Tecnologia e Inovação em Saúde do Ministério da Saúde. - Imagem: Reprodução/Ministério da Saúde.

Erika Osti Publicado em 26/03/2026, às 16h45


O Ministério da Saúde avalia que a guerra no Oriente Médio pode pressionar o preço de medicamentos no Brasil, principalmente por impactos na logística global e no custo de insumos. A afirmação foi feita nesta quinta-feira (26) pela secretária de Ciência, Tecnologia e Inovação em Saúde, Fernanda de Negri, que destacou que, apesar do cenário de alerta, não há risco imediato de falta de remédios no país.

Segundo a secretária, o governo acompanha de perto possíveis efeitos do conflito sobre as cadeias internacionais de produção e distribuição. A preocupação está ligada, sobretudo, ao petróleo, matéria-prima essencial para a indústria farmoquímica e fortemente dependente de rotas que passam por regiões estratégicas do Oriente Médio.

Fernanda de Negri explicou que a instabilidade pode elevar tanto os custos de produção quanto os de transporte. Um dos pontos críticos é o Estreito de Ormuz, por onde passa uma parcela significativa do petróleo mundial. Qualquer restrição nessa rota tende a impactar diretamente países que produzem insumos farmacêuticos, como Índia e China, principais fornecedores do Brasil.

A secretária também chamou atenção para a dependência externa. Mesmo medicamentos fabricados no país utilizam princípios ativos importados, que chegam ao Brasil por rotas aéreas e logísticas que frequentemente passam pelo Oriente Médio. Mudanças nesses trajetos podem provocar atrasos e aumento de custos, com reflexo no preço final ao consumidor.

Apesar das incertezas, o ministério afirma que, até agora, não há sinais de desabastecimento nem impacto direto nos custos logísticos. Ainda assim, o tema entrou no radar do governo desde o início da escalada do conflito, no fim de fevereiro.

O ministro da Saúde, Alexandre Padilha, já havia alertado que guerras e tensões internacionais tendem a afetar cadeias globais e podem gerar efeitos indiretos na saúde. Ele destacou que o aumento do preço do petróleo e possíveis alterações nas rotas comerciais são fatores de risco para o setor.

Diante desse cenário, o governo tem reforçado a importância de ampliar a produção nacional de medicamentos como forma de reduzir a vulnerabilidade externa. A estratégia busca garantir maior estabilidade no abastecimento, mesmo em momentos de crise internacional.

O debate também foi reforçado pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que defendeu o papel do Estado em assegurar o acesso da população a medicamentos. Em agenda nesta quinta-feira (26), ele destacou que políticas públicas como o Farmácia Popular são fundamentais para assegurar tratamento à população, especialmente para quem não pode arcar com os custos.


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