Composto desenvolvido por pesquisadores brasileiros demonstrou eficácia contra formas resistentes da doença e pode ampliar alternativas de tratamento

Letícia Sales Publicado em 08/05/2026, às 10h40
A Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) conquistou uma patente internacional para um método de tratamento considerado promissor contra a malária, especialmente em casos resistentes aos medicamentos tradicionais.
A patente foi concedida pelo órgão norte-americano United States Patent and Trademark Office (USPTO) e envolve pesquisadores do Instituto René Rachou, unidade da Fiocruz em Belo Horizonte.
O estudo utiliza um composto conhecido como DAQ, que apresentou resultados positivos no combate ao Plasmodium falciparum, parasita responsável pelas formas mais graves da malária.
Molécula voltou a ser estudada
Embora o composto não seja inédito, os pesquisadores brasileiros retomaram os estudos utilizando técnicas modernas de química e biologia molecular para entender melhor sua atuação contra o parasita.
“Essa molécula já tinha sido descrita como promissora, mas acabou sendo deixada de lado. O nosso grupo retomou esse estudo e mostrou um mecanismo único de superar mecanismos de resistência desenvolvidos pelo parasita, ao identificar uma característica estrutural decisiva: a presença de uma ligação tripla na cadeia química”, explicou Wilian Cortopassi, pesquisador colaborador da Fiocruz.
Segundo os cientistas, o DAQ age de maneira semelhante à cloroquina, interferindo diretamente em um mecanismo essencial para a sobrevivência do parasita dentro do organismo humano.
Resultados considerados promissores
Os estudos mostraram que o composto teve ação rápida nas fases iniciais da infecção e apresentou eficácia tanto contra cepas sensíveis quanto resistentes do Plasmodium falciparum.
Os pesquisadores também identificaram resultados positivos contra o Plasmodium vivax, responsável pela maior parte dos casos de malária registrados no Brasil.
Outro fator considerado estratégico é o possível baixo custo de produção da molécula, o que pode facilitar o acesso ao tratamento em países de baixa e média renda, onde a doença continua sendo um grave problema de saúde pública.
Próximas etapas
Apesar dos resultados animadores, os pesquisadores ressaltam que o desenvolvimento do medicamento ainda depende de novas fases de estudo, incluindo testes de toxicidade, definição de doses seguras e desenvolvimento da formulação farmacêutica.
A patente foi concedida em março deste ano e terá validade até setembro de 2041.
Para a pesquisadora Antoniana Krettli, a estrutura da Fiocruz pode acelerar futuras etapas do projeto.
A instituição tem forte atuação na Amazônia, com diagnóstico e acompanhamento de pacientes, além de experiência em testes clínicos. Isso facilita parcerias e o avanço de novos medicamentos”, afirmou.
As pesquisas contaram com apoio de instituições nacionais e internacionais, como a University of California San Francisco, a Universidade Federal de Alagoas, a Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro e a Universidade Federal de São Paulo.
Os especialistas alertam que, mesmo com tratamentos disponíveis atualmente, o parasita continua evoluindo e desenvolvendo resistência, tornando essencial o investimento contínuo em novas alternativas terapêuticas.
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