Ministério da Saúde notificou empresa após pendência de mais de 1,5 milhão de doses; fornecimento atende milhares de pacientes da rede pública

Redação Publicado em 25/05/2026, às 09h29
O fornecimento de insulina para o SUS enfrenta atrasos significativos, com a farmacêutica Biomm notificada pelo Ministério da Saúde devido à falta de mais de 1,57 milhão de doses, representando 20% do contrato com a Funed. A situação é agravada por crises logísticas internacionais e conflitos no Golfo.
O contrato totaliza mais de 8 milhões de doses, com um custo de R$ 142,1 milhões, mas até agora apenas R$ 114 milhões foram entregues. A Biomm justifica os atrasos como resultado de dificuldades globais e problemas regulatórios enfrentados pela parceira indiana Wockhardt.
Apesar dos atrasos, o Ministério da Saúde assegura que não há desabastecimento de insulina e que a distribuição continua regular. No entanto, o governo considera a situação delicada, tendo que recorrer a contratos emergenciais com fornecedores estrangeiros para garantir o fornecimento do medicamento.
O fornecimento de insulina para o Sistema Único de Saúde (SUS) entrou em alerta após o Ministério da Saúde notificar a farmacêutica Biomm por atrasos na entrega de milhões de doses do medicamento. A empresa, que até recentemente tinha participação acionária ligada ao Banco Master, afirma que os problemas ocorreram por causa da crise logística internacional e de conflitos na região do Golfo.
Registros públicos apontam que ainda faltam ser entregues mais de 1,57 milhão de doses de insulina previstas em contrato firmado com a Fundação Ezequiel Dias (Funed), laboratório público vinculado ao governo de Minas Gerais. O volume representa cerca de 20% de todo o acordo fechado em junho do ano passado para abastecimento da rede pública.
A produção dos medicamentos ocorre por meio de uma parceria entre a Funed, a Biomm e o laboratório indiano Wockhardt, dentro de um programa de transferência de tecnologia aprovado pelo Ministério da Saúde ainda em 2017.
A situação ganhou ainda mais repercussão porque a Biomm tinha como principal acionista, até abril deste ano, um fundo de investimentos ligado ao Banco Master, instituição financeira controlada pelo banqueiro Daniel Vorcaro. Após o avanço das investigações envolvendo o banco, o fundo foi liquidado e as ações acabaram transferidas ao Banco de Brasília (BRB), que posteriormente vendeu os papéis à gestora Alaska Asset Management.
Além do atraso, a empresa parceira indiana também enfrentou problemas regulatórios no Brasil. Pouco após a assinatura do contrato, a Wockhardt apresentou à Anvisa um pedido para alterar o processo de fabricação da insulina, mas a solicitação acabou sendo rejeitada pela agência após meses de análise técnica.
Segundo dados do governo federal, o contrato total prevê fornecimento superior a 8 milhões de doses, ao custo de R$ 142,1 milhões. Até agora, foram emitidas notas fiscais correspondentes a cerca de R$ 114 milhões em entregas.
Em nota, a Biomm afirmou que os contratos estão “substancialmente atendidos” e explicou que as mudanças no cronograma ocorreram devido a dificuldades globais de logística e fornecimento internacional da matéria-prima.
A empresa também informou que os produtos restantes já estariam prontos, aguardando apenas liberações e trâmites da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa).
O Ministério da Saúde, por sua vez, garantiu que não há desabastecimento de insulina no SUS e afirmou que mantém distribuição regular aos estados. A pasta destacou ainda que o Brasil retomou a produção nacional de insulina após mais de 20 anos.
Nos bastidores do governo, no entanto, o fornecimento do medicamento segue sendo tratado como tema sensível, principalmente após a necessidade de contratos emergenciais com fornecedores estrangeiros para evitar risco de falta do produto na rede pública.
Veja o que diz a Biomm em nota oficial sobre o caso:
A Biomm esclarece que os Contratos 188/2025, referentes ao fornecimento de frascos de insulina humana regular e NPH, e 190/2025 ao Ministério da Saúde seguem sendo cumpridos em conformidade com os prazos contratuais. A companhia informa que os 445.618 tubetes remanescentes já estão disponíveis, aguardando apenas liberação da Anvisa, com entrega planejada até 31 de maio. Dessa forma, não procede a informação de que 1,57 milhão de doses deixaram de ser entregues ao Ministério da Saúde.
A companhia reafirma sua capacidade de atender à totalidade dos volumes de insulina solicitados pelo Ministério da Saúde para os pacientes do SUS e reforça seu comprometimento em reduzir a necessidade de o Brasil importar medicamentos cuja capacidade de produção já existe dentro do território nacional, fruto de investimentos no complexo industrial da saúde e da geração de centenas de empregos no Brasil.
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