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Opióides

Estados Unidos viram o jogo contra o fentanil

Após anos de crise, país vê queda expressiva nas overdoses e dá sinais de recuperação

A Carolina do Norte lidera a redução das mortes por overdose, com uma abordagem focada na saúde pública e redução de danos - Imagem: Reprodução/Redes Sociais
A Carolina do Norte lidera a redução das mortes por overdose, com uma abordagem focada na saúde pública e redução de danos - Imagem: Reprodução/Redes Sociais

Gabriela Nogueira Publicado em 02/11/2025, às 11h47


A redução significativa das mortes por overdose nos Estados Unidos, com destaque para a Carolina do Norte, demonstra uma nova abordagem no enfrentamento da crise de opioides. Este Estado se posiciona na linha de frente de uma tendência positiva, que começou a ser notada em 2024.

Dados alarmantes revelam que duas em cada cinco pílulas apreendidas continham doses letais do opioide sintético fentanil, conforme apontado pela Drug Enforcement Administration (DEA).

Kayla, uma residente da Carolina do Norte, compartilha sua experiência pessoal com o fentanil. Aos 18 anos, ela experimentou a substância pela primeira vez e rapidamente se tornou dependente, descrevendo o efeito como uma "sensação incrível" que silenciou suas lutas internas. A origem das pílulas, possivelmente fabricadas no México e contrabandeadas para os EUA, é um desafio que as autoridades buscam combater.

Com mais de 110 mil mortes relacionadas a drogas registradas em 2023, a situação parecia incontrolável. No entanto, um surpreendente declínio de aproximadamente 25% nas mortes por overdose foi observado em 2024, representando cerca de 30 mil vidas salvas diariamente.

A Carolina do Norte destaca-se neste cenário, com uma queda de 35% nas mortes por overdose. O estado tem implementado estratégias eficazes focadas na redução de danos ao invés da criminalização dos usuários. Esse enfoque reconhece que a luta contra o consumo de drogas é também uma questão de saúde pública.

Kayla deixou as drogas ilícitas para trás e participa do programa LEAD (Law Enforcement Assisted Diversion) em Fayetteville, que promove a reabilitação e desvio de usuários para tratamento ao invés da prisão. O tenente Jamaal Littlejohn explica que muitos delitos são relacionados à dependência e que oferecer suporte pode liberar recursos policiais para enfrentar crimes mais graves.

Kayla alcançou progresso significativo em sua recuperação, tendo limpado seu histórico criminal e se formado como auxiliar de enfermagem. Com o uso contínuo da metadona, ela acredita ter evitado recaídas e está determinada a se libertar completamente das drogas.

As clínicas de tratamento na Carolina do Norte têm adotado abordagens inovadoras para ajudar os pacientes. O psiquiatra Eric Morse destaca que muitos pacientes ainda testam positivo para opioides adquiridos ilegalmente; no entanto, essa situação não é considerada um fracasso, pois indica uma redução na frequência de uso.

A naloxona tem sido um recurso vital na reversão de overdoses. Em 2024, mais de 16 mil doses foram administradas no estado, salvando muitas vidas. A droga é amplamente reconhecida como um recurso essencial na luta contra a crise dos opioides.

Embora haja um otimismo crescente sobre as taxas de mortalidade por overdose na Carolina do Norte, desafios persistem. Grupos demográficos específicos continuam a ser afetados desproporcionalmente pela crise e há preocupações sobre o financiamento futuro dos programas de tratamento.

Kayla reflete sobre seu passado e expressa gratidão pelo apoio recebido durante sua jornada de recuperação. Agora com novos objetivos, ela busca não apenas sua própria liberdade das drogas, mas também deseja contribuir para a vida dos outros ajudando-os em suas lutas.


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