Especialistas explicam se álcool vira um gatilho para quem está tentando parar de fumar

Milleny Ferreira Publicado em 03/10/2023, às 11h50
O álcool pode ser um gatilho para despertar a vontade de fumar em tabagistas ou ex-fumantes, o desejo vem por conta de uma reação química, mas também, por conta de uma espécie de ilusão do usuário dizem especialistas consultados pelo G1.
Essa é uma sensação que existe, mas é uma ilusão, uma fantasia. É possível contornar. O paciente acaba associando as sensações de prazer com algumas situações da vida: como fumar enquanto consome bebida alcoólica, fumar no intervalo do trabalho, depois do almoço, enquanto está dirigindo, depois de tomar café e etc”, afirmou a cardiologista Jaqueline Scholz, que é diretora do Programa de Tratamento de Tabagismo do Hospital Encore.
Ou seja, segundo os especialistas existe as duas explicações para o caso, que consiste no “hábito associativo”, onde o fumante cria uma relação entre o tabaco e o álcool, quanto a outra química, já que o álcool potencializa a metabolização da nicotina.
Tendo isso, podemos considerar o álcool uma fonte para desencadear uma abstinência em um ex-fumante.
"O álcool pode dificultar a tentativa de parar de fumar, aumentando a vontade e tornando mais complicado resistir ao desejo de fumar. Isso é especialmente importante para quem está em processo de abstinência, interrompendo o consumo. É conhecido que o álcool interfere em processos psicológicos fundamentais, afetando o julgamento crítico e a capacidade de controlar impulsos", afirmou Felipe Ornell, pesquisador do Centro de Pesquisa em Álcool e Drogas do Hospital de Clínicas De Porto Alegre.
Tanto a nicotina, quanto o álcool agem no cérebro dando a sessão de prazer e liberam a dopamina, conhecido como hormônio da felicidade, fazendo a pessoa sentie a necessidade de fumar ou beber, mas é uma mentira.
“Uma boa resposta ao tratamento envolve aprender a identificar gatilhos, e manejar os sintomas quando surgem, mudar o estilo de vida e se proteger contra recaídas. Isso pode incluir terapias, como a Terapia Cognitivo-Comportamental (TCC), medicamentos e participar de grupos de apoio, entre outras estratégias”, completou Felipe Ornell.
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