Com aumento de 20% em 12 meses, autoridades pedem vigilância aos sinais da doença

Gabriela Nogueira Publicado em 14/11/2025, às 14h54
No mês em que se celebra o Dia Mundial do Diabetes, em 14 de novembro, a Secretaria de Estado da Saúde de São Paulo chama atenção para o crescimento da doença e para seus impactos na vida da população. Somente em 2024, a rede estadual registrou 78,5 mil atendimentos relacionados ao diabetes — um aumento de 20% em comparação com o ano anterior, quando 65,2 mil casos chegaram às unidades de saúde.
O diabetes acontece quando o organismo deixa de produzir insulina de forma adequada ou passa a utilizá-la de maneira ineficiente, fazendo com que os níveis de glicose se mantenham elevados no sangue. No tipo 1, o processo é autoimune: o próprio corpo destrói as células pancreáticas responsáveis por produzir o hormônio. Já no tipo 2, mais comum entre adultos, há resistência à insulina ou queda gradual na sua produção — cenário fortemente influenciado por hábitos de vida.
Para a endocrinologista Isabel Menezes, do Centro de Referência do Idoso da Zona Norte, a combinação de fatores sociais e comportamentais tem contribuído para o crescimento dos diagnósticos. “A expectativa de vida aumentou, mas as pessoas estão se movimentando menos, ganhando peso mais rápido e consumindo mais alimentos industrializados”, explica. Segundo ela, dietas ricas em açúcar, farinhas refinadas e ultraprocessados sobrecarregam o pâncreas. “O estresse também eleva hormônios que aumentam a glicose no sangue, e a falta de exercícios reduz a sensibilidade à insulina”, completa.
A influência genética também pesa. Quem possui histórico familiar, além de pessoas com sobrepeso, hipertensão ou colesterol elevado, tem risco maior de desenvolver a doença. Embora o tipo 1 seja mais comum em crianças, médicos já observam casos de diabetes tipo 2 surgindo em faixas etárias cada vez mais jovens, consequência direta do estilo de vida atual.
A médica acrescenta que fatores ambientais — como mudanças climáticas e poluição — podem agravar o quadro quando combinados com outros riscos. Temperaturas extremas dificultam o controle glicêmico, e a poluição pode estimular inflamações e resistência à insulina.
Os sinais de alerta costumam surgir de maneira gradual. Sede intensa, idas frequentes ao banheiro, cansaço, perda de peso sem explicação, visão embaçada e infecções que demoram a cicatrizar estão entre os sintomas mais comuns. Isabel reforça que pessoas com fatores de risco devem procurar avaliação médica mesmo sem sintomas aparentes.
A prevenção passa por escolhas diárias que incluem alimentação equilibrada, redução de açúcares e ultraprocessados, prática regular de atividade física, sono adequado e controle do estresse. Para quem já recebeu o diagnóstico, seguir o tratamento indicado e monitorar a glicemia é essencial para evitar complicações e garantir qualidade de vida.
No estado de São Paulo, as ações de conscientização neste mês reforçam que o diabetes é uma doença crônica que exige atenção contínua — mas que pode ser controlada com informação, acompanhamento e novos hábitos.
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