Daniela Salomão, coordenadora-geral explica detalhes, critérios e controles

Vitória Tedeschi Publicado em 30/08/2023, às 13h56
Após a grande cobertura do processo de transplante de coração do apresentador Fausto Silva, o Faustão, o Sistema Nacional de Transplantes do Brasil ganhou espaço na mídia e algumas dúvidas foram levantadas sobre como isso funciona no país.
De acordo com o portal oficial do Governo Federal, antes de mais nada vale citar que o apresentador, assim como qualquer outro cidadão que já precisou de transplante, entrou para a lista oficial organizada pelo Sistema Único de Saúde (SUS).
Apenas a partir disso, foi que ele conseguiu um órgão compatível de acordo com os critérios médicos e passou pelo procedimento cirúrgico no último domingo (27).
Para explicar ainda mais sobre esse processo, a ministra da Saúde, Nísia Trindade, concedeu entrevistas e publicou uma série de tuítes em perfil do Twitter. Ela lembrou que só no primeiro semestre houve 206 transplantes de coração no país, aumento de 16% em relação ao do ano passado.
Segundo Nísia, pelas estatísticas do sistema, a maioria das pessoas consegue um coração em até três meses. O tempo atual de espera é de menos de um mês para 27,5% das pessoas que estão na lista e de um a três meses para 24,8% dos pacientes.
Temos no #SUS o maior sistema público de transplantes do mundo, que atende com igualdade a qualquer paciente, da rede pública ou privada. Um doador pode salvar até oito vidas. Fale com sua família, só ela pode autorizar a doação e precisa saber de sua intenção", disse a ministra, que aproveitou para defender a doação de órgãos.
Além de Nísia, Daniela Salomão, coordenadora-geral do Sistema Nacional de Transplantes, também falou sobre o Sistema e explicou que "os critérios que definem quem vai receber os órgãos são únicos. Dependem exatamente da condição clínica daquele receptor, da tipagem sanguínea, de peso, altura, idade, tempo que está em lista e critérios de gravidade".
Daniela também aproveitou para enfatizar que doar órgãos é verdadeiramente seguro e que o sistema brasileiro de doação segue regras muito sérias.
Eu gostaria de enfatizar que o sistema brasileiro de doação segue normas muito rígidas e o Conselho Federal de Medicinaestabeleceu critérios para diagnóstico de morte encefálica. No nosso país, nós somente temos autorização de entrevistar uma família para doação de órgãos após cumpridos todos os critérios de diagnósticos de morte encefálica. A gente pode usar exames complementares, já definidos pelo Conselho Federal de Medicina, para fechar o diagnóstico. Então, são dois exames clínicos e um exame complementar. Somente após cumpridas essas três etapas que a família poderá ser entrevistada. Um dado importante: qualquer família pode solicitar que um médico de sua confiança acompanhe todo esse processo, cada exame clínico pode ser acompanhado por um médico de confiança da família", disse ela.
Por fim, a coordenadora afirmou o que é necessário fazer para se tornar um doador: "Basta conversar com a família. São as nossas famílias que, no momento do nosso falecimento, terão a oportunidade de autorizar, de consentir. É um assunto que precisa ser conversado, precisa ser discutido nos lares e a pessoa precisa se declarar para a família. O que ela quer que aconteça no momento de seu falecimento. Ela quer ser doadora? Ela quer ajudar as pessoas que estão em lista? É uma opção de cada um de nós".
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