Demanda crescente por medicamentos para emagrecer faz ações da farmacêutica dispararem mais de 35% no ano

Gabriela Nogueira Publicado em 21/11/2025, às 17h40
O mercado de medicamentos para emagrecimento entrou em uma nova fase de expansão e deve alcançar um volume estimado em 150 bilhões de dólares até 2030, segundo projeções de analistas de Wall Street. No centro dessa transformação está a Eli Lilly, fabricante do Mounjaro, que acaba de se tornar a primeira empresa do setor farmacêutico a atingir a marca de 1 trilhão de dólares em valor de mercado. O feito coloca a companhia em um patamar antes dominado quase exclusivamente por grandes nomes da tecnologia.
O crescimento da empresa nos últimos anos se apoia no desempenho expressivo de seus medicamentos para controle de peso e diabetes. A valorização superior a 35 por cento registrada em 2023 foi impulsionada principalmente pela rápida expansão do mercado de tratamentos contra obesidade, área que recebeu investimentos robustos e ganhou visibilidade com o lançamento de novas terapias de alta eficácia.
O Mounjaro, indicado para diabetes tipo 2, e o Zepbound, voltado ao tratamento da obesidade, se tornaram motores de crescimento para a Lilly. Somados, esses medicamentos já superaram as vendas do Keytruda, da Merck, e assumiram a posição de produtos mais comercializados no mundo. A empresa também ultrapassou a Novo Nordisk em número de prescrições, movimento favorecido pelas dificuldades enfrentadas pela concorrente para atender à demanda pelo Wegovy após seu lançamento em 2021.
As ações da Eli Lilly são negociadas atualmente na casa dos 1.051 dólares, valor que reflete a forte confiança do mercado. O preço corresponde a cerca de cinquenta vezes o lucro projetado para os próximos doze meses, número acima da média do setor. Desde a chegada do Zepbound ao mercado no fim de 2023, a empresa acumula valorização superior a 75 por cento, ritmo que supera amplamente o desempenho do índice S&P 500 no mesmo período.
A demanda crescente pelos tratamentos metabólicos contribuiu para elevar a projeção de receita anual da empresa, que revisou suas estimativas e incluiu um aumento superior a 2 bilhões de dólares. No último trimestre divulgado, a Lilly reportou mais de 10 bilhões em receita combinada apenas com produtos para obesidade e diabetes, representando mais de metade do faturamento total de 17,6 bilhões de dólares.
Para investidores, o movimento indica uma consolidação da liderança da empresa nesse mercado. Evan Seigerman, analista da BMO Capital Markets, afirmou que a avaliação atual da Lilly demonstra forte confiança na continuidade de sua expansão e reforça a preferência de investidores pela companhia em relação à Novo Nordisk na disputa pelo setor de medicamentos antiobesidade.
Enquanto isso, o mercado se prepara para a chegada do orforglipron, um medicamento oral para perda de peso que aguarda aprovação regulatória. Especialistas do Citi antecipam que a nova terapia deve aproveitar o impulso dos atuais tratamentos injetáveis e tem potencial para expandir ainda mais o portfólio da empresa no segmento em rápido crescimento.
Outro fator que pode ampliar a atuação da Lilly é um acordo firmado com o governo Trump envolvendo investimentos bilionários para expandir a capacidade produtiva nos Estados Unidos. Embora analistas avaliem que o contrato possa pressionar receitas no curto prazo, ele também abre caminho para ampliar o acesso ao tratamento e atingir até 40 milhões de novos pacientes.
James Shin, diretor de pesquisa em biofarmacêuticas do Deutsche Bank, destacou que a empresa pode estar recuperando espaço entre as companhias mais influentes do mercado, em referência ao grupo apelidado de Sete Magníficos. Para ele, a Lilly surge como uma alternativa atraente em um momento em que empresas de tecnologia enfrentam oscilações mais fortes.
Mesmo com o desempenho histórico, alguns analistas mantêm cautela. Há preocupações sobre a capacidade da companhia de sustentar margens altas diante de possíveis pressões regulatórias e redução de preços para Mounjaro e Zepbound. A expectativa é que a estratégia de diversificação e o avanço de novos medicamentos consigam compensar eventuais perdas e mantenham a Lilly entre as protagonistas do setor de saúde nos próximos anos.
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