Operação “Lança do Sul” amplia presença militar dos EUA no Caribe, alimenta especulações sobre ações na Venezuela e acende alerta em governos da região

Lívia Gennari Publicado em 14/11/2025, às 14h27
O governo dos Estados Unidos anunciou na última quinta-feira (13), uma nova operação militar na América Latina, ampliando a pressão sobre o regime de Nicolás Maduro e reforçando o clima de instabilidade no Caribe.
Batizada de Southern Spear (“Lança do Sul”), a iniciativa foi comunicada pelo secretário de Defesa, Pete Hegseth, como parte do esforço da Casa Branca para enfrentar o que Washington classifica como “narcoterrorismo” no continente.
A ação envolve o Comando Sul das Forças Armadas americanas e uma força-tarefa que deve atuar em pontos estratégicos da região. Apesar do anúncio, o governo ainda não detalhou onde as operações ocorrerão nem o que está previsto nas primeiras etapas.
Autoridades ouvidas pela rede CBS, parceira da BBC nos EUA, indicam que equipes de alto escalão apresentaram ao presidente Donald Trump possíveis cenários envolvendo a Venezuela, incluindo ataques terrestres a alvos em solo venezuelano.

Conflito entre Trump e Maduro atinge novo patamar
A hostilidade entre Washington e Caracas ganhou intensidade nas últimas semanas, sendo alimentada por acusações de ambos os lados. Trump já classificou Maduro como líder de um cartel de drogas, enquanto o presidente venezuelano afirma que os EUA “fabricam uma guerra” para justificar ações militares.
A Casa Branca, por sua vez, sustenta que a ofensiva mira apenas organizações criminosas e cita o chamado Cartel de Los Soles como alvo prioritário. A recompensa oferecida pelos EUA pela captura de Maduro foi recentemente dobrada e chegou a US$ 50 milhões.
EUA mostram poder militar no Caribe
Em meio ao aumento das tensões, as Forças Armadas americanas vêm reforçando sua presença no Caribe com o maior destacamento militar na região em décadas. Na noite de quinta-feira, a Marinha dos EUA divulgou imagens do USS Gerald Ford, o maior porta-aviões do mundo, já posicionado no sul do Caribe com seu grupo de ataque, composto por navios de guerra, aeronaves de última geração e equipamentos de operações especiais.
Nas últimas semanas, Trump admitiu ter autorizado operações sigilosas da CIA na Venezuela e sugeriu que ações terrestres contra cartéis poderiam começar “em breve”. Questionado sobre a possibilidade de um ataque por terra, o presidente evitou descartar a hipótese. “Não vou dizer o que vou fazer”, afirmou em uma entrevista recente.

América Latina reage à movimentação militar dos EUA
A ofensiva americana tem sido acompanhada com preocupação por governos da região. Em diferentes encontros internacionais, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva mencionou a instabilidade no continente como um dos principais riscos para a segurança hemisférica.
A escalada também afeta a Colômbia. O presidente colombiano, Gustavo Petro, foi alvo de críticas diretas de Trump, que o chamou de “bandido”.
Com a operação Southern Spear em andamento e a presença militar americana crescendo no Caribe, especialistas temem que o conflito entre Trump e Maduro chegue a um nível crítico, desencadeando uma crise de grandes proporções na América do Sul.
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