Pesquisadores apontaram um novo caminho no combate ao câncer ao descobrir que uma molécula pode enfraquecer células tumorais sem afetar tecidos saudáveis

William Oliveira Publicado em 24/03/2026, às 11h56 - Atualizado às 12h32
Uma nova estratégia no combate ao câncer tem chamado a atenção de cientistas por apostar em um caminho mais preciso e menos agressivo ao organismo. A proposta é utilizar uma versão “espelhada” de um aminoácido para frear o crescimento de células tumorais, preservando os tecidos saudáveis.
O estudo, conduzido por pesquisadores das universidades de Genebra e Marburg e publicado na revista Nature Metabolism, investigou o potencial da chamada D-cisteína — uma variação menos comum do aminoácido cisteína.
Na prática, algumas moléculas possuem duas formas quase idênticas, como se fossem imagens refletidas no espelho. No corpo humano, a versão mais comum dos aminoácidos é a chamada “L”, utilizada pelas células no funcionamento diário. Já a versão “D” costuma ter pouca participação nos processos biológicos.
Foi justamente essa característica que despertou o interesse dos cientistas. Durante os testes, eles observaram que determinadas células cancerígenas possuem um tipo específico de “porta de entrada” que facilita a absorção da D-cisteína — algo que não ocorre com a mesma intensidade em células saudáveis.
Depois de entrar na célula tumoral, a substância interfere diretamente na produção de energia. Ela bloqueia uma enzima essencial, chamada NFS1, responsável por manter o funcionamento adequado das mitocôndrias — estruturas que geram energia para a célula.
Sem essa enzima, as células cancerígenas passam a ter dificuldades para produzir energia, acumulam falhas internas e perdem a capacidade de se multiplicar. Com isso, o tumor entra em um estado de enfraquecimento, tendo seu crescimento desacelerado.
Um dos principais diferenciais dessa abordagem é a seletividade. Como a D-cisteína atua com mais intensidade nas células tumorais, o impacto sobre tecidos saudáveis tende a ser menor — o que pode representar uma vantagem em relação a tratamentos tradicionais, que afetam também células normais.
Nos testes realizados com camundongos, os pesquisadores observaram uma redução significativa no crescimento de tumores agressivos, sem sinais relevantes de efeitos colaterais.
Apesar dos resultados promissores, o método ainda está em fase inicial. Antes de chegar aos pacientes, a substância precisará passar por testes clínicos em humanos para avaliar segurança, dosagem adequada e eficácia em comparação com os tratamentos já disponíveis.
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