Especialistas alertam para o risco de retorno de doenças preveníveis e reforçam a importância da imunização contínua

Letícia Sales Publicado em 09/06/2026, às 13h16
O Brasil celebra o Dia Nacional da Imunização, em 9 de junho, com um cenário de recuperação gradual das coberturas vacinais após anos de queda. Apesar dos avanços registrados nos últimos anos, grande parte das vacinas do calendário infantil ainda não alcança os índices considerados necessários para garantir proteção coletiva à população.
Dados recentes mostram que apenas três imunizantes aplicados no primeiro ano de vida atingiram as metas estabelecidas em 2024: a BCG, que protege contra formas graves da tuberculose, a vacina contra hepatite B e a primeira dose da tríplice viral, responsável pela prevenção do sarampo, caxumba e rubéola.
Para especialistas, a melhora representa uma conquista importante, mas ainda insuficiente para afastar os riscos de reintrodução de doenças já controladas no país.
“Temos muito a comemorar, porque cada conquista é importante. Mas precisamos entender que mesmo quando atingirmos essas metas não podemos baixar a guarda. Sempre seguiremos vacinando, trata-se de uma ação contínua”, afirma Mayra Moura, gerente de farmacovigilância do Instituto Butantan e diretora da Sociedade Brasileira de Imunizações (SBIm).
Considerada uma das maiores conquistas da saúde pública mundial, a vacinação foi responsável por uma expressiva redução da mortalidade infantil nas últimas décadas. Segundo estimativas da Organização Mundial da Saúde (OMS), os imunizantes contribuíram para cerca de 40% da queda das mortes de crianças em todo o mundo nos últimos 50 anos.
Doenças eliminadas ainda representam ameaça
Mesmo com o avanço das campanhas, especialistas destacam que a baixa cobertura vacinal mantém parte da população vulnerável a doenças altamente transmissíveis.
A poliomielite é um dos exemplos que mais preocupam as autoridades sanitárias. O Brasil não atinge a meta de 95% de cobertura vacinal contra a doença há quase uma década, o que mantém o alerta para a possibilidade de reintrodução do vírus.
“As metas de cobertura são estipuladas para reduzir consideravelmente a incidência de uma doença ou até mesmo eliminá-la. Quando não conseguimos atingir esse índice, uma parte da população ainda fica bastante suscetível. Estamos falando de doenças que se espalham rapidamente”, explica Mayra.
O sarampo também continua sendo motivo de atenção. Casos importados registrados nos últimos anos demonstram que a doença pode voltar a circular quando a imunização coletiva não é suficiente para interromper a transmissão.
HPV e gripe seguem entre os maiores desafios
Entre os imunizantes com menor adesão está a vacina contra o HPV, indicada para meninas e meninos entre 9 e 14 anos. Os índices atuais permanecem abaixo da meta nacional, especialmente entre os mais jovens, justamente na faixa etária recomendada para o início da proteção.
A vacinação contra a gripe também enfrenta dificuldades. Em diversas regiões do país, a cobertura dos grupos prioritários ficou distante do percentual esperado, aumentando a preocupação com complicações causadas pelo vírus, principalmente entre idosos, crianças e pessoas com doenças crônicas.
Combate à desinformação
Especialistas apontam que a disseminação de informações falsas continua sendo um dos principais obstáculos para ampliar a adesão às campanhas de imunização.
“As vacinas estão entre os medicamentos mais seguros que existem. Assim como qualquer produto, no Brasil elas passam por uma avaliação rigorosa da Agência Nacional de Vigilância Sanitária, antes de serem aplicadas na população”, destaca Mayra.
Ela também ressalta que o acompanhamento dos imunizantes continua após a aprovação dos órgãos reguladores.
“Na maioria das vezes, as vacinas desencadeiam reações leves a moderadas, como dor e vermelhidão no local da aplicação, febre baixa e mal-estar, que duram poucos dias”, conclui.
Especialistas reforçam que manter a carteira de vacinação atualizada é uma das medidas mais eficazes para proteger não apenas cada indivíduo, mas toda a comunidade contra doenças potencialmente graves.
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