Decisão amplia tratamento para pacientes a partir de 10 anos e marca avanço no controle da doença em jovens no Brasil

Erika Osti Publicado em 22/04/2026, às 16h21
A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) autorizou o uso do medicamento Mounjaro, à base de tirzepatida, para o tratamento de diabetes tipo 2 em crianças e adolescentes de 10 a 17 anos. A decisão, anunciada nesta quarta-feira (22), amplia uma indicação que até então era restrita a adultos e abre uma nova frente terapêutica para um público considerado mais vulnerável à progressão da doença.
Com a medida, o remédio passa a ser o primeiro da classe dos agonistas duplos dos receptores GIP/GLP-1 liberado no país para uso pediátrico. Esses fármacos atuam diretamente em hormônios ligados ao controle da glicose e do apetite, contribuindo para a redução dos níveis de açúcar no sangue e, em alguns casos, também do peso corporal.
A aprovação foi baseada em dados de um estudo clínico internacional de fase 3, conhecido como SURPASS-PEDS, que demonstrou resultados expressivos entre pacientes jovens. Segundo os dados, houve melhora significativa no controle glicêmico, com redução superior a dois pontos percentuais na hemoglobina glicada, além de queda de até 12% no índice de massa corporal. Parte dos participantes chegou a apresentar remissão da doença.
De acordo com a agência, a mudança não altera as demais indicações já aprovadas para o medicamento, que continuam voltadas ao público adulto. A atualização se restringe à ampliação da faixa etária para o tratamento do diabetes tipo 2, mantendo a necessidade de prescrição e acompanhamento médico especializado.
No Brasil, cerca de 213 mil adolescentes vivem com a doença, que tem avançado de forma preocupante nessa faixa etária. Diferentemente do que ocorre em adultos, o diabetes tipo 2 em jovens costuma evoluir mais rapidamente, o que torna o controle mais desafiador e reforça a importância de novas opções terapêuticas.
Especialistas destacam que o uso do medicamento deve ser individualizado e integrado a outras medidas, como mudanças no estilo de vida e monitoramento contínuo. Os efeitos colaterais observados seguem o padrão já conhecido dessa classe de remédios, com sintomas gastrointestinais como náusea, diarreia e vômito, geralmente leves a moderados e mais comuns no início do tratamento. Não foram registrados casos de hipoglicemia grave no estudo que embasou a decisão.
Paralelamente à ampliação do uso, a Anvisa também tem intensificado o monitoramento das chamadas canetas emagrecedoras, grupo ao qual o Mounjaro pertence. A agência criou grupos de trabalho com entidades médicas e farmacêuticas e prepara novas regras para manipulação e uso desses medicamentos, dentro de um plano mais amplo de regulação e segurança.
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