A decisão de Toffoli provoca desconforto na PF, sendo vista como interferência na autonomia da corporação durante a investigação

Letícia Sales Publicado em 16/01/2026, às 13h43
O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Dias Toffoli determinou a reformulação do cronograma de depoimentos no inquérito que investiga suspeitas de fraude envolvendo o Banco Master. A decisão reduz de seis para dois dias o período destinado às oitivas dos investigados e atende a um pedido apresentado pela Polícia Federal (PF).
Inicialmente, os depoimentos estavam previstos para ocorrer entre os dias 23 e 28 de janeiro. Com a mudança, Toffoli solicitou que a PF apresente novas datas, respeitando o limite máximo de dois dias para a realização das oitivas. O ministro é relator do caso e acolheu a solicitação da corporação no último dia 13.
Na decisão, Toffoli destacou que os depoimentos já estavam autorizados desde dezembro e mencionou restrições operacionais no Supremo, como a limitação de salas e de pessoal disponível para acompanhar os trabalhos da polícia.
O andamento do inquérito, no entanto, tem sido marcado por atritos institucionais. Em outra decisão recente, o ministro indicou nominalmente quatro peritos da Polícia Federal para analisar materiais apreendidos na investigação. O procedimento foi considerado atípico dentro da corporação, já que a prática usual prevê que o Instituto Nacional de Criminalística faça a designação dos peritos conforme a especialidade técnica necessária.
A medida provocou desconforto interno, pois foi interpretada como interferência na autonomia administrativa da PF. Dias antes, Toffoli também havia alterado a responsabilidade pela análise do material apreendido, transferindo-a para a Procuradoria-Geral da República após críticas da polícia, que alegou prejuízos à investigação caso os equipamentos permanecessem sob custódia do STF.
O caso do Banco Master ganhou repercussão nacional após o Banco Central decretar a liquidação extrajudicial da instituição, em meio a suspeitas de fraude em operações que envolvem a venda de carteiras de crédito avaliadas em bilhões de reais. A apuração também envolve supostos ataques digitais ao Banco Central e pagamentos a influenciadores.
A investigação chegou ao STF no fim do ano passado e tramita sob sigilo. A primeira fase da operação ocorreu em novembro, com prisões temporárias, incluindo a do controlador do banco, Daniel Vorcaro, que acabou sendo solto dias depois.
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