Ministro do STF afirma que dados extraídos pela Polícia Federal só chegaram à Corte após a mudança de relatoria e nega ter interferido nas investigações

Erika Osti Publicado em 06/03/2026, às 14h22
O ministro Dias Toffoli, do Supremo Tribunal Federal (STF), afirmou nesta sexta-feira (6) que não teve acesso aos dados extraídos pela Polícia Federal do celular do banqueiro Daniel Vorcaro enquanto era relator das investigações envolvendo o chamado caso Master. Segundo o magistrado, até o dia 12 de fevereiro de 2026, quando deixou a condução do processo, nenhum material havia sido encaminhado ao Supremo.
A declaração foi divulgada em nota oficial do gabinete do ministro, que também destacou que a última decisão tomada por ele no processo, em 12 de janeiro deste ano, foi justamente ordenar que a Polícia Federal enviasse o conteúdo apreendido à Corte. O objetivo, segundo Toffoli, era garantir o cumprimento do direito de acesso às provas pelas defesas, previsto na legislação.
De acordo com o ministro, os dados obtidos pela perícia nos celulares de Vorcaro só chegaram ao STF depois que o processo passou a ser conduzido por André Mendonça, que assumiu a relatoria em fevereiro.
Na nota, Toffoli também rebateu qualquer suspeita de que sua atuação tenha prejudicado o andamento das investigações. Ele afirmou que, durante o período em que esteve à frente do caso, autorizou todas as medidas solicitadas pela Polícia Federal e pela Procuradoria-Geral da República.
Segundo o ministro, as apurações ocorreram normalmente, sem qualquer prejuízo à coleta de provas ou à investigação dos fatos. Ele acrescentou que nenhum pedido de nulidade apresentado no processo foi aceito durante sua relatoria.
O conteúdo extraído dos celulares do banqueiro acabou desencadeando uma nova etapa da investigação conduzida pela Polícia Federal. As mensagens analisadas levaram à deflagração da terceira fase da Operação Compliance Zero, que resultou na prisão preventiva de Vorcaro e de outros investigados.
De acordo com os investigadores, as conversas indicam uma possível tentativa de interferência nas apurações. Os diálogos apontariam para a formação de um grupo que teria buscado acessar informações sigilosas e pressionar jornalistas e adversários.
As análises também levantaram suspeitas de que o empresário teria acessado de forma indevida sistemas restritos de instituições públicas, incluindo bases de dados da Polícia Federal, do Ministério Público Federal e até de organismos internacionais como a Interpol.
Outro ponto citado nas investigações envolve mensagens que indicariam contato entre Vorcaro e o ministro Alexandre de Moraes. Em uma das conversas mencionadas em reportagens, o banqueiro teria enviado uma mensagem ao magistrado pouco antes de uma operação policial realizada no ano passado.
Toffoli foi responsável pela condução do processo no STF até fevereiro, quando deixou a relatoria em meio a uma crise interna na Corte relacionada ao caso. A mudança ocorreu após uma reunião entre os ministros do tribunal e resultou na redistribuição do processo.
Mesmo após sair da relatoria, o magistrado não se declarou suspeito para atuar no julgamento do caso. Com isso, ele ainda poderá participar de votações e discussões relacionadas ao tema no Supremo.
A investigação envolve suspeitas ligadas ao colapso do Banco Master, que entrou em liquidação após apresentar elevado risco financeiro e dificuldades para manter suas operações. O caso também ganhou repercussão no mercado após a instituição oferecer produtos de investimento com rendimentos muito acima da média, o que despertou atenção de órgãos de controle.
Com a mudança na relatoria, eventuais decisões e ações penais relacionadas à investigação passarão a ser analisadas pela turma do STF da qual André Mendonça faz parte.
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