Diário de São Paulo
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Investigação

PF encontra mensagens em que Vorcaro cita encontro com “Alexandre Moraes”

Conversas de 2025 entre o banqueiro e sua noiva foram localizados após quebra de sigilo do celular apreendido na investigação

Nome de Moraes aparece em mensagens do dono do Master. - Imagem: Montagem/STF/Divulgação.
Nome de Moraes aparece em mensagens do dono do Master. - Imagem: Montagem/STF/Divulgação.

Erika Osti Publicado em 06/03/2026, às 15h03


A Polícia Federal encontrou mensagens no celular do banqueiro Daniel Vorcaro, dono do extinto Banco Master, que indicam que ele teve encontros com uma pessoa identificada como “alexandre moraes”. Os diálogos foram trocados em abril de 2025 entre o empresário e sua então noiva, a influenciadora Martha Graeff, e passaram a integrar o material analisado pelos investigadores no âmbito das apurações sobre o banco.

De acordo com os registros obtidos pela PF, Vorcaro afirma em uma das conversas que iria se encontrar com alguém com esse nome. A mensagem foi enviada no dia 19 de abril de 2025, às 17h22. No texto, o banqueiro escreve para a companheira que estava “indo encontrar alexandre moraes aqui perto de casa”. Surpresa com a informação, Martha questiona o noivo na sequência. “Como assim amor? Ele está em Campos? Ou foi para te ver?”, pergunta. Vorcaro responde que a pessoa citada estaria “passando feriado” na região.

Os investigadores também localizaram outra troca de mensagens, dez dias depois, em 29 de abril de 2025. Na conversa, Vorcaro diz à noiva que está em casa e faz uma chamada de vídeo com ela. Após o término da ligação, Martha pergunta quem seria “o primeiro cara” que havia aparecido na conversa. O banqueiro responde apenas com o nome “Alexandre Moraes”.

Segundo a Polícia Federal, os diálogos foram encontrados após a quebra de sigilo telemático do empresário e fazem parte do conjunto de dados extraídos dos celulares apreendidos durante a investigação. O conteúdo passou a ser analisado no contexto das apurações relacionadas ao caso envolvendo o Banco Master.

Apesar da coincidência de nome com o ministro do Supremo Tribunal Federal Alexandre de Moraes, os registros não confirmam se a pessoa citada nas mensagens seria de fato o magistrado. As conversas não apresentam elementos que identifiquem de forma inequívoca o interlocutor mencionado por Vorcaro.

Procurado pela imprensa para comentar o caso, o gabinete do ministro não se manifestou. Em outro episódio relacionado às investigações, Moraes já negou ter trocado mensagens com o banqueiro, classificando as informações divulgadas como uma tentativa de atingir o Supremo Tribunal Federal.

O material extraído do celular do empresário também revelou outras comunicações atribuídas a Vorcaro no dia 17 de novembro de 2025, data em que ele foi preso pela primeira vez pela Polícia Federal, no Aeroporto de Guarulhos. Nessas mensagens, o banqueiro relatava movimentações envolvendo negociações para tentar salvar o Banco Master e perguntava se havia alguma novidade sobre o caso.

As respostas do suposto interlocutor não puderam ser recuperadas pelos investigadores porque teriam sido enviadas no modo de visualização única, recurso do aplicativo que apaga automaticamente a mensagem após a leitura.

As conversas fazem parte do conjunto de provas reunidas na investigação sobre possíveis fraudes financeiras e irregularidades ligadas ao Banco Master, instituição que acabou sendo liquidada pelo Banco Central após enfrentar forte crise financeira e suspeitas envolvendo operações consideradas de alto risco.

Em meio às investigações, também veio à tona recentemente que, em 2024, o Banco Master firmou um contrato de R$ 129 milhões com o escritório Barci de Moraes, onde atuam a advogada Viviane Barci de Moraes, esposa do ministro do STF Alexandre de Moraes, e o filho do magistrado.

A defesa de Daniel Vorcaro afirma que ainda não teve acesso completo ao material analisado pela Polícia Federal e pediu ao Supremo Tribunal Federal a abertura de um inquérito para investigar possíveis vazamentos de informações sigilosas do processo. Segundo os advogados, conteúdos pessoais e conversas envolvendo terceiros podem ter sido divulgados fora de contexto antes mesmo de chegarem oficialmente à defesa.


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