Ex-ministros permanecem em acomodações com TV, ar-condicionado e banheiro privativo

Gabriela Nogueira Publicado em 26/11/2025, às 15h08
Os generais da reserva Augusto Heleno e Paulo Sérgio Nogueira estão detidos em salas especiais no Comando Militar do Planalto, em Brasília, após determinação do ministro Alexandre de Moraes. As acomodações foram preparadas para receber oficiais de alta patente e seguem o padrão utilizado pelo Exército em situações que envolvem autoridades de quatro estrelas, com estrutura específica prevista nos regulamentos internos da corporação.
As salas onde permanecerão custodiados ficam no mesmo andar do CMP e contam com banheiro privativo, cama de solteiro, escrivaninha, televisão com canais abertos, frigobar e ar-condicionado. Há controle de acesso no entorno, o que garante privacidade e segurança durante o cumprimento das penas. Segundo o Exército, o modelo segue o mesmo padrão do espaço utilizado na detenção do ex-presidente Jair Bolsonarona Superintendência da Polícia Federal.
A operação de prisão ocorreu na terça-feira (25), e foi conduzida por dois generais da ativa. Francisco Humberto Montenegro Júnior, chefe do Estado-Maior do Exército, e Luiz Fernando Estorilho Baganha, chefe do Departamento-Geral do Pessoal, foram às residências dos ex-ministros em Brasília e acompanharam pessoalmente o deslocamento até o Comando Militar do Planalto. A condução por oficiais de quatro estrelas foi resultado de um entendimento prévio entre o ministro Alexandre de Moraes e a cúpula do Exército.
Durante a chegada ao CMP, tanto Heleno quanto Paulo Sérgio manifestaram gratidão ao Alto Comando pelo tratamento recebido. Testemunhas relataram que ambos destacaram a forma digna com que a prisão foi conduzida e a ausência de exposição pública, ponto que vinha sendo solicitado há meses pelo comandante do Exército, general Tomás Paiva, em diálogos com ministros do Supremo. Os generais agradeceram também pela acomodação em locais que consideraram adequados e compatíveis com o histórico de carreira de ambos.
A avaliação inicial dentro das Forças Armadas é de que as decisões judiciais foram executadas com o respeito solicitado pelo comando militar, tanto no procedimento de detenção quanto na escolha das instalações. Para integrantes da cúpula, o STF atendeu à demanda pela condução discreta e institucionalmente adequada dos envolvidos.
Na mesma data, a Primeira Turma do Supremo Tribunal Federal validou de forma unânime as decisões de Moraes que determinaram o início do cumprimento das penas do ex-presidente Jair Bolsonaro e de outros cinco réus investigados por envolvimento em atos golpistas. O placar foi de quatro votos a zero, com manifestações favoráveis de Flávio Dino, Cristiano Zanin e Cármen Lúcia, além do relator. Moraes convocou sessão virtual logo após assinar os mandados de prisão.
O processo havia chegado ao trânsito em julgado na manhã de terça-feira, quando se encerrou o prazo para recursos e os últimos apelos da defesa foram rejeitados. No mês anterior, a Primeira Turma já havia negado, também por unanimidade, o primeiro recurso apresentado por Bolsonaro e pelos demais envolvidos. Com a confirmação judicial, as prisões foram iniciadas e os generais seguem sob responsabilidade do Comando Militar do Planalto, que mantém a custódia em locais que atendem aos critérios de segurança, privacidade e acomodação previstos para militares de alto escalão.
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