Generais condenados por participação em tentativa de golpe seguem para o Comando Militar do Planalto

Gabriela Nogueira Publicado em 25/11/2025, às 15h49
O Exército montou na manhã desta terça-feira (25) celas especiais para receber os generais Augusto Heleno e Paulo Sérgio Nogueira, que tiveram mandados de prisão expedidos no âmbito do processo que investigou a tentativa de golpe de Estado após as eleições de 2022. Os dois militares, já localizados pelas equipes responsáveis, seguiram para o Comando Militar do Planalto, em Brasília, onde deverão permanecer à disposição da Justiça.
Segundo um integrante da cúpula do Exército, os espaços preparados contam com cama, banheiro e ar-condicionado. Há ainda a possibilidade de que televisão e frigobar sejam instalados, caso haja autorização judicial. A medida atende protocolos internos para custódia de oficiais de alta patente.
Heleno e Paulo Sérgio foram condenados pela Primeira Turma do Supremo Tribunal Federal por envolvimento direto na trama golpista que também levou à condenação do ex-presidente Jair Bolsonaro. O ex-chefe do Gabinete de Segurança Institucional recebeu pena de 21 anos, enquanto o ex-ministro da Defesa foi sentenciado a 19 anos, ambos em regime fechado.
A denúncia apresentada pela Procuradoria-Geral da República sustenta que os dois faziam parte do núcleo central de uma organização criminosa que buscava impedir a posse do presidente eleito. As acusações incluem tentativa de abolir o Estado Democrático de Direito de forma violenta, tentativa de golpe de Estado, participação em organização criminosa e depredação de patrimônio tombado, crimes que a Corte considerou comprovados no julgamento.
A decisão marca um momento inédito na história brasileira, já que nunca antes generais de quatro estrelas haviam sido responsabilizados criminalmente por um plano golpista. A condenação e o cumprimento das ordens de prisão reforçam o desfecho jurídico de um dos episódios mais graves já analisados pelo Supremo desde a redemocratização.
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