Ministro do STF destacou proximidade do ex-presidente com embaixadas e convocação de manifestação de apoiadores como fatores que aumentaram o risco de evasão

Lívia Gennari Publicado em 22/11/2025, às 10h00
Na decisão que levou à prisão de Bolsonaro, o ministro Alexandre de Moraes destacou que a violação da tornozeleira ocorreu pouco antes de uma vigília convocada pelo senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) em apoio ao pai, na frente do condomínio onde ele cumpria prisão domiciliar.
Segundo o ministro, a manifestação, embora apresentada como ato em favor da saúde do ex-presidente, poderia facilitar uma tentativa de fuga e dificultar a fiscalização das medidas cautelares pela Polícia Federal e pela Polícia Penal do Distrito Federal.
Moares ressaltou ainda que o condomínio de Bolsonaro fica a cerca de 13 quilômetros do Setor de Embaixadas Sul, onde está localizada a Embaixada dos Estados Unidos, distância que pode ser percorrida em cerca de 15 minutos de carro. Moraes apontou que aliados do ex-presidente já haviam deixado o país após condenações, reforçando a preocupação com a possibilidade de evasão.
Importante destacar que a conduta indica a repetição do modus operandi da organização criminosa liderada pelo réu, utilizando manifestações populares para obter vantagens pessoais”, afirmou Moraes, reforçando que a aglomeração de apoiadores representava um alto risco à ordem pública e à efetividade da lei penal.
O ministro acrescentou que todas as medidas possíveis para garantir a prisão domiciliar, incluindo monitoramento integral, escoltas policiais e destacamento de equipes, foram adotadas, mas não eram suficientes para eliminar o perigo de fuga. Moraes citou ainda que, durante a investigação que resultou na condenação, Bolsonaro teria planejado fugir para a embaixada da Argentina, solicitando asilo político.
Jair Bolsonaro cumpre prisão domiciliar com uso de tornozeleira eletrônica desde agosto, e no mês seguinte foi condenado pelo Supremo Tribunal Federal a 27 anos e 3 meses de prisão por envolvimento em atos considerados criminosos. A decisão que determinou a medida considerou a gravidade das condutas e o risco de fuga, mantendo o monitoramento integral do ex-presidente em sua residência, com visitas restritas.
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