Saulo Moura da Cunha, ex-diretor da Abin, alertou sobre movimentações extremistas em Brasília antes da posse de Lula

Gabriela Thier Publicado em 27/05/2025, às 16h45
Em audiência realizada nesta terça-feira (27), Djairlon Henrique Moura, ex-diretor de operações da Polícia Rodoviária Federal (PRF), apresentou sua defesa no Supremo Tribunal Federal (STF) e negou veementemente a alegação de que houve direcionamento político nas operações de fiscalização durante o segundo turno das eleições de 2022. Moura destacou que as atividades da PRF visavam investigar crimes eleitorais, como transporte irregular de eleitores e movimentação financeira suspeita.
Moura depôs como testemunha a favor do ex-ministro da Justiça Anderson Torres, que enfrenta acusações em um processo que investiga uma tentativa de golpe de Estado após as eleições. Segundo o ex-diretor, a operação em questão foi proposta pela Secretaria de Operações Integradas do Ministério da Justiça em uma reunião que antecedeu o pleito. O foco principal seria a fiscalização de ônibus provenientes de São Paulo, Goiás, Minas Gerais e Rio de Janeiro com destino ao Nordeste.
"O intuito era coibir o transporte irregular de passageiros e recursos financeiros já alvo de investigação pela Polícia Federal. Mais de 60% dos veículos abordados foram fiscalizados por menos de 15 minutos", afirmou Moura, reforçando que não havia intenção de dificultar o acesso dos eleitores às urnas.
O relator do caso no STF, ministro Alexandre de Moraes, levantou questões sobre possíveis contradições nas declarações do ex-diretor. Em resposta, Moura admitiu que não estava presente na reunião onde teria sido solicitado apoio específico para o Nordeste, mas confirmou que a operação foi discutida com o então diretor-geral da PRF, Silvinei Vasques. A Procuradoria-Geral da República (PGR) acusa membros da PRF de tentativas de interferência na movimentação dos eleitores durante o segundo turno das eleições. Moura é um dos indiciados pela Polícia Federal sob suspeita de dificultar o transporte dos eleitores do presidente eleito Luiz Inácio Lula da Silva (PT).
Outra testemunha ouvida nesta terça-feira foi Saulo Moura da Cunha, ex-diretor da Agência Brasileira de Inteligência (Abin). Ele relatou ter enviado alertas entre os dias 2 e 8 de janeiro de 2023 sobre uma movimentação incomum em Brasília envolvendo indivíduos com discursos extremistas e planos para invadir prédios públicos. Esses alertas foram encaminhados ao governo em transição e ao Gabinete de Segurança Institucional (GSI).
Os depoimentos fazem parte da fase atual do processo judicial, onde 25 testemunhas estão previstas para serem ouvidas ao longo desta semana pela Primeira Turma do STF. Esta ação penal é um desdobramento da denúncia apresentada pela PGR em março de 2024, que inclui o ex-presidente Jair Bolsonaro, seu vice Walter Braga Netto e mais 32 pessoas. As acusações envolvem uma tentativa orquestrada para obstruir a posse do presidente Lula, organizada em núcleos civis e militares.
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