Presidente citou caso de jovem vítima de ataques virtuais e cobrou do Congresso a aprovação de regras para plataformas digitais

Lívia Gennari Publicado em 24/05/2025, às 20h16
Durante visita à cidade de Campo Verde, em Mato Grosso, neste sábado (24), o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), voltou a defender a necessidade de regulamentar as redes sociais no Brasil. A declaração foi feita durante o lançamento de um programa voltado à agricultura familiar na região.
Segundo o presidente, enquanto diversos setores da sociedade são regulamentados, as plataformas digitais seguem sem qualquer tipo de controle efetivo. “Tudo tem controle, menos as empresas de aplicativo. A gente precisa discutir com o Congresso Nacional a responsabilidade de regular essas empresas neste país”, afirmou.
Lula citou como exemplo o caso recente de uma menina que teria tirado a própria vida após ser alvo de ataques virtuais. “Ela foi acusada, quase torturada pelos amiguinhos pela internet. Não foi pessoalmente, foi pela internet”, lamentou o presidente, ao destacar os danos que o ambiente digital pode causar, especialmente entre os jovens.
O presidente também relembrou a sanção da lei que restringe o uso de celulares nas escolas, uma medida que busca melhorar o desempenho dos alunos. No entanto, ressaltou que isso não é suficiente e que é urgente estabelecer regras para o funcionamento das plataformas digitais no país.
A discussão sobre a regulamentação das redes sociais tramita no Congresso. O projeto de lei já foi aprovado no Senado, mas enfrenta resistência e segue parado na Câmara dos Deputados, especialmente por parte de parlamentares da oposição.
O tema também esteve em pauta durante recente visita de Lula e da primeira-dama, Janja da Silva, à China. Na ocasião, em reunião com o presidente Xi Jinping, Janja quebrou o protocolo ao mencionar que o algoritmo do TikTok favoreceria conteúdos de direita e poderia contribuir para a disseminação de discursos extremistas.
Ainda durante o evento em Mato Grosso, Lula revelou que a partir de junho pretende intensificar viagens pelo país. Segundo ele, a ideia é “voltar a fazer política” e estar mais próximo da população, como forma de combater a desinformação. “Nós precisamos evitar que a mentira e as fake news voltem ao poder neste país”, concluiu.
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