Iniciativas comerciais com México e Índia visam diversificar as exportações brasileiras e minimizar os impactos das tarifas

Gabriela Thier Publicado em 09/08/2025, às 19h14
Integrantes do governo brasileiro, sob a liderança do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, enfrentam uma situação complexa em relação à possibilidade de uma resposta unificada dos países do Brics frente às tarifas impostas pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump.
Embora Lula tenha manifestado a intenção de discutir as implicações da guerra tarifária com os parceiros do bloco, fontes do governo avaliam que a diversidade econômica e política entre os membros torna difícil a formulação de uma posição coesa. O Brics é atualmente composto por dez nações: Brasil, Rússia, Índia, China, África do Sul, Egito, Emirados Árabes Unidos, Etiópia, Indonésia e Irã. A Arábia Saudita participa das reuniões mas não é um membro formal.
No cenário atual, o Brasil se depara com uma sobretaxa de 50% sobre suas exportações para os Estados Unidos. A Índia enfrenta um aumento tarifário que já está em 25% e deve subir para 50% devido ao comércio com a Rússia. Por sua vez, a Indonésia, que se juntou recentemente ao bloco, foi impactada por uma taxa de 19%. A China, em particular, vive uma situação diferenciada e pode estar sujeita a novos aumentos tarifários na próxima semana se Trump não estender a trégua previamente acordada.
Na quinta-feira (7), durante uma conversa telefônica com o primeiro-ministro indiano Narendra Modi, Lula destacou a importância de dialogar sobre as tarifas com outros líderes do Brics. O presidente também planeja contatar Xi Jinping, presidente da China, além de considerar conversas com outros representantes dos países que compõem o bloco. "Vou tentar fazer uma discussão com eles sobre como cada um está dentro da situação e quais são as implicações para cada país", afirmou Lula em entrevista à agência Reuters.
Atualmente na presidência rotativa do Brics, o Brasil passará o comando para a Índia em janeiro de 2026. No entanto, as fontes governamentais ressaltam que a crítica de Trump ao bloco não resultou em taxas específicas direcionadas aos países membros. Cada nação formulou sua própria estratégia para lidar com as tarifas americanas, e nem todos estão dispostos a adotar uma postura crítica semelhante à de Lula.
A diversidade nas relações econômicas com os Estados Unidos entre os países do Brics também complica o estabelecimento de uma posição unificada que vá além de declarações genéricas sobre o multilateralismo e o papel da Organização Mundial do Comércio (OMC). No caso brasileiro, as tarifas americanas têm implicações adicionais devido ao envolvimento político que tenta influenciar o Supremo Tribunal Federal (STF) em favor do ex-presidente Jair Bolsonaro, atualmente réu por tentativa de golpe.
Lula considera essa interferência um ataque à soberania nacional e acredita que não há real disposição por parte de Trump para negociar uma redução nas tarifas sobre os produtos brasileiros. Diante desse cenário adverso, a estratégia do governo é manter negociações focadas no comércio com os EUA enquanto explora novos mercados para os produtos brasileiros junto aos parceiros do Brics e fora dele, como México e Canadá.
O vice-presidente e ministro da Indústria, Comércio e Serviços (MDIC), Geraldo Alckmin, foi incumbido por Lula de liderar missões comerciais ao México ainda neste mês e à Índia em outubro. Essas iniciativas visam reduzir a dependência das exportações brasileiras em relação ao mercado norte-americano.
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