Diário de São Paulo
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Brasil intensifica negociações

Semana decisiva pode definir futuro do tarifaço dos EUA sobre produtos brasileiros

Governo Lula mantém estratégia de diálogo técnico com Washington e aguarda definição do USTR, prevista para 15 de julho, sobre possível taxação de produtos brasileiros

Palácio do Planalto aguarda nova reunião com representantes americanos antes do prazo final da investigação comercial - Imagem: Reprodução/Getty Images
Palácio do Planalto aguarda nova reunião com representantes americanos antes do prazo final da investigação comercial - Imagem: Reprodução/Getty Images

Julio Cezar Souza Publicado em 13/07/2026, às 07h20


O governo federal entra em uma semana considerada decisiva nas negociações comerciais com os Estados Unidos para tentar evitar a aplicação de uma tarifa adicional de 25% sobre produtos brasileiros. A decisão do governo norte-americano deve ser anunciada até a próxima quarta-feira (15), dentro da investigação conduzida com base na chamada Seção 301 da legislação comercial dos Estados Unidos.

A expectativa do Palácio do Planalto é realizar mais uma reunião com o Escritório do Representante de Comércio dos Estados Unidos (USTR), liderado por Jamieson Greer, antes do prazo final. O encontro ocorrerá no âmbito do grupo de trabalho criado para discutir as medidas comerciais entre os dois países e poderá antecipar o posicionamento oficial de Washington.

Caso seja confirmada, esta será a quinta reunião entre Greer e integrantes do governo brasileiro desde o início das negociações.

Na última sexta-feira (10), o presidente Luiz Inácio Lula da Silva reuniu ministros no Palácio do Planalto para avaliar o cenário e definir a estratégia para a reta final das tratativas. Durante o encontro, auxiliares apresentaram um panorama das conversas e consideraram como hipótese mais provável a confirmação da tarifa de 25% a partir de 15 de julho.

Segundo integrantes do governo, a avaliação leva em conta o andamento das reuniões com representantes norte-americanos, o histórico recente da política comercial da administração de Donald Trump e declarações públicas do próprio Jamieson Greer.

Na última quinta-feira (9), o representante comercial afirmou que ainda existe uma distância significativa entre as posições dos dois países e indicou que a decisão será divulgada dentro do prazo previsto.

Apesar desse cenário, Lula decidiu manter a estratégia adotada desde o início das negociações: preservar o diálogo técnico e evitar concessões consideradas incompatíveis com os interesses brasileiros. Entre os temas que permanecem fora das discussões está a redução das tarifas sobre o etanol, considerada uma das principais reivindicações dos Estados Unidos.

Participaram da reunião os ministros Mauro Vieira, das Relações Exteriores, e Márcio Elias Rosa, do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, responsáveis por conduzir as negociações junto ao governo norte-americano.

Nos cenários analisados pelo Planalto, também existe a possibilidade, considerada remota, de que os Estados Unidos optem por adiar a entrada em vigor das tarifas para prolongar as negociações.

Brasil apresenta proposta para tentar evitar novas tarifas

Uma das principais iniciativas do governo brasileiro foi apresentar aos Estados Unidos um plano com medidas destinadas a responder aos questionamentos levantados na investigação da Seção 301, utilizada como base para a proposta de taxação.

O documento contempla ações relacionadas aos seis eixos analisados pelos norte-americanos, incluindo temas como combate à corrupção, proteção da propriedade intelectual, acesso ao mercado, preservação ambiental e outras políticas comerciais.

O governo, no entanto, manteve fora das negociações o sistema de pagamentos instantâneos Pix, classificado como um tema inegociável pelas autoridades brasileiras.

Parte das medidas apresentadas já está em tramitação no Congresso Nacional, enquanto outras dependem de regulamentações que vêm sendo elaboradas pelo próprio Executivo.

Além disso, o Brasil sinalizou a possibilidade de reduzir tarifas de aproximadamente 300 linhas de produtos. Como as regras da Organização Mundial do Comércio impedem concessões exclusivas a um único país, a proposta prevê reduções aplicáveis também a outros parceiros comerciais, concentrando-se em setores nos quais os Estados Unidos possuem maior competitividade e com menor impacto para a indústria nacional.


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