Investigação apura vídeos em que o ex-governador relacionou ministros do STF a acusações ligadas ao caso Master

Redação Publicado em 01/06/2026, às 14h28
O pré-candidato à Presidência da República, Romeu Zema (Novo), foi formalmente notificado pelo Superior Tribunal de Justiça (STJ) para se manifestar sobre uma denúncia de suposta calúnia apresentada contra o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Gilmar Mendes. O prazo para a apresentação da defesa é de 15 dias.
A investigação tem origem em um vídeo publicado por Zema nas redes sociais em março deste ano. Na gravação, os ministros Gilmar Mendes e Dias Toffoli aparecem representados por fantoches em um conteúdo que faz referência ao chamado caso Master. Segundo a acusação, o material teria associado indevidamente Gilmar Mendes aos fatos citados no vídeo.
Após receber a notificação, Zema divulgou uma nova manifestação em seu perfil no Instagram. O ex-governador afirmou estar inconformado com a ação judicial e voltou a fazer críticas ao magistrado.
Fui notificado pela Justiça Federal e adivinha quem é o autor: ministro Gilmar Mendes. Parece que ele não gostou quando eu falei que ele pega carona em jatinho de banqueiro bandido. Estou aqui indignado, mas tenho certeza de que a justiça vai prevalecer", declarou Zema.
A controvérsia começou em abril, quando Gilmar Mendes solicitou ao ministro Alexandre de Moraes a inclusão de Zema no inquérito das fake news, alegando que o conteúdo divulgado configuraria crime de calúnia. O pedido foi encaminhado por Moraes à Procuradoria-Geral da República (PGR) para análise.
Ao examinar o caso, o procurador-geral da República, Paulo Gonet, entendeu que a investigação não deveria tramitar no inquérito das fake news. Em seu parecer, sustentou que a competência para analisar a denúncia seria do STJ, por considerar que os fatos guardam relação com o exercício do cargo ocupado por Zema à época da publicação, já que as manifestações ocorreram em perfis vinculados à sua atuação política e institucional.
Mesmo após a representação apresentada pelo ministro do STF, Zema voltou a publicar vídeos com críticas à Corte. Em uma série de postagens intitulada “Intocáveis”, o político manteve o uso de personagens inspirados em ministros do Supremo para comentar temas relacionados ao Judiciário.
Ao comentar o andamento do processo, o ex-governador afirmou que não pretende alterar sua postura e disse que continuará denunciando o que considera irregularidades envolvendo autoridades públicas. Segundo ele, tentativas de silenciar suas manifestações não terão efeito.
Se queriam me calar, não vão. Vou continuar mostrando todos esses absurdos que têm acontecido no Brasil. É muito político vendido se aproximando de bandido para poder enriquecer. Não podemos tolerar isso”, afirmou.
O inquérito das fake news foi instaurado pelo STF em 2019 para apurar ameaças, campanhas de desinformação e ataques direcionados à Corte e às instituições democráticas. A investigação é conduzida por Alexandre de Moraes e, desde sua criação, a investigação divide opiniões e alimenta debates sobre os limites de atuação do Supremo.
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