Diário de São Paulo
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Governo avalia retorno do horário de verão diante do aumento da demanda por energia

Relatório do Operador Nacional do Sistema alerta para risco de déficit de potência e reacende discussão sobre medidas para aliviar pressão no consumo de energia elétrica nos próximos anos

Alta na demanda e risco de sobrecarga estimulam debate sobre retorno do horário de verão no Brasil - Imagem: Reprodução
Alta na demanda e risco de sobrecarga estimulam debate sobre retorno do horário de verão no Brasil - Imagem: Reprodução

Lívia Gennari Publicado em 09/07/2025, às 14h34 - Atualizado às 15h07


O Plano da Operação Energética (PEN 2025–2029), divulgado nesta terça-feira (9) pelo Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS), reacendeu o debate sobre a possível volta do horário de verão no Brasil. A medida é vista como uma alternativa para ajudar a aliviar a pressão sobre o sistema elétrico nacional, que deve enfrentar uma projeção de aumento expressivo na demanda por energia nos próximos anos.

Segundo o relatório, a carga de energia deve saltar para 94,6 gigawatts médios (GWmed) até 2029, um crescimento de 14,1% em relação aos níveis atuais, com uma média anual de 3,4%. Apesar desse aumento da geração solar e eólica, o ONS alerta que essas fontes são intermitentes e não conseguem atender adequadamente à demanda nos momentos de pico, especialmente no final da tarde e início da noite, quando a geração solar cai e o consumo residencial e comercial cresce. Por isso, será necessário reforçar o "atendimento de potência", termo que se refere à capacidade do sistema de fornecer energia suficiente nesses horários críticos.

O relatório projeta que o Brasil poderá enfrentar um desequilíbrio estrutural na oferta de potência, o que pode tornar mais frequente o acionamento das usinas termelétricas, sobretudo no segundo semestre de cada ano, período marcado pela redução das chuvas e consequente menor geração hidrelétrica.

Para enfrentar esse cenário, além da necessidade de investimentos em tecnologia e simulação de cenários de estresse, o ONS voltou a colocar em pauta a possibilidade de retomar o horário de verão como estratégia para ajudar a reduzir a sobrecarga nos horários de maior consumo. O ONS avalia que a adoção do horário de verão poderia proporcionar uma folga de até 2 gigawatts nos momentos de maior consumo, contribuindo para equilibrar o fornecimento de energia nos horários de ponta.

A entidade estima que a decisão sobre a recomendação oficial do retorno do horário de verão deve ser tomada até agosto deste ano, para que haja tempo hábil de comunicação e planejamento antes do verão 2025/2026. A medida, no entanto, depende de avaliação e aprovação do governo federal.

O ONS também destaca que, caso a medida não seja adotada, será necessário acionar usinas térmicas de forma mais frequente, além de implementar um mecanismo que paga grandes consumidores, como indústrias, para reduzirem o consumo nos horários de pico. Outras estratégias em análise incluem o uso das reservas de usinas hidrelétricas e a importação de energia de países vizinhos.

Embora o relatório não trate diretamente da possibilidade de apagões, o risco de déficit de potência, se não for controlado, pode resultar em situações críticas no fornecimento de energia elétrica. A decisão final sobre a possível retomada do horário de verão será de caráter político, cabendo ao Ministério de Minas e Energia e à Presidência da República analisar o cenário e definir se a mudança será implementada já no próximo verão.


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