Declaração surpreende bastidores e reacende debate sobre decisões da Corte em meio à pressão política crescente

Manoela Cardozo Publicado em 13/04/2026, às 08h00
O ministro Luiz Fux decidiu rever seu próprio posicionamento e passou a defender a absolvição de réus envolvidos nos atos de 8 de janeiro, movimento que causou impacto imediato nos bastidores do Supremo Tribunal Federal. A mudança ocorreu durante a análise de recursos apresentados pelas defesas, em julgamento realizado no plenário virtual.
Nos votos, o ministro reconheceu que sua posição anterior, quando acompanhou a maioria pela condenação, não se sustenta mais diante de uma revisão mais cuidadosa dos processos. “O único rótulo que honra o juiz é o da justiça”, afirmou, ao justificar a reavaliação. Ele acrescentou que o entendimento anterior “incorreu em injustiças que o tempo e a consciência já não me permitem sustentar”.
A nova leitura levou Fux a votar pela absolvição total em sete casos, todos relacionados a pessoas que estavam acampadas em frente ao quartel-general do Exército, em Brasília. Segundo ele, não há comprovação suficiente de condutas individuais que justifiquem condenações penais, reforçando a necessidade de provas concretas para responsabilização.
Entre os nomes analisados está Anilton da Silva Santos, citado no voto como exemplo da ausência de evidências diretas de participação em crimes. O ministro também se posicionou contra a tese defendida pela Procuradoria-Geral da República, que considera suficiente a presença nos acampamentos para caracterizar envolvimento nas ações.
Em outros processos, envolvendo participantes da invasão às sedes dos Três Poderes, Fux adotou um caminho intermediário. Ele defendeu a absolvição de acusações mais graves, como tentativa de golpe, mantendo apenas a responsabilização por danos ao patrimônio público, com penas mais brandas.
Mesmo com a mudança de entendimento, o novo voto não deve alterar o resultado final dos julgamentos, já que a maioria da Corte já se posicionou. Ainda assim, a manifestação ganhou peso político e jurídico, especialmente em um momento de pressão crescente no Congresso.
Parlamentares da oposição têm intensificado críticas às penas aplicadas aos condenados e cobram a revisão de decisões recentes. O movimento também envolve o veto do presidente Luiz Inácio Lula da Silva sobre a dosimetria das penas, tema que está sob análise do Congresso, liderado por Davi Alcolumbre.
Nos bastidores, casos específicos passaram a ser usados como símbolo do que críticos classificam como desproporcionalidade nas condenações, ampliando o debate sobre os critérios adotados pela Justiça e a atuação do Supremo em um dos episódios mais sensíveis da política recente.
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