Pedido cita voos em nove estados em atos eleitorais de Nikolas e questiona ausência de registro oficial

Erika Osti Publicado em 03/03/2026, às 16h38
A deputada federal Erika Hilton, do PSol de São Paulo, protocolou uma representação no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) contra o deputado Nikolas Ferreira por suposto uso irregular de uma aeronave durante a campanha presidencial de 2022. O pedido envolve voos feitos em um jato executivo associado ao banqueiro Daniel Vorcaro e questiona a ausência de qualquer registro da utilização do avião na prestação de contas eleitorais.
Segundo a parlamentar, entre 20 e 28 de outubro de 2022, Nikolas participou de agendas em ao menos nove estados e no Distrito Federal, em apoio à reeleição do então presidente Jair Bolsonaro. Os deslocamentos ocorreram em um jato modelo Phenom 300, ligado a uma empresa da qual Vorcaro era sócio à época. Para Erika, a logística aérea possibilitou intensa circulação em diferentes regiões do país em curto espaço de tempo, ampliando a presença política do deputado na reta final da campanha.
Na representação, ela sustenta que não há transparência sobre a cessão da aeronave, que não aparece como doação estimável em dinheiro nem como despesa declarada. A deputada argumenta que a operação de um jato desse porte envolve custos elevados, incluindo combustível, tripulação, taxas aeroportuárias e manutenção, o que poderia configurar benefício relevante se não tiver sido devidamente contabilizado.
Erika Hilton solicita que o TSE abra procedimento para apurar os fatos, requisitar registros de voo, analisar as prestações de contas e, se for o caso, adotar as medidas previstas na legislação eleitoral. Ela também defende a atuação do Ministério Público Eleitoral diante do que classifica como fatos novos e graves.
Os voos foram revelados em reportagem do jornal O Globo. Após a publicação, Nikolas confirmou que utilizou a aeronave, mas afirmou não saber quem era o proprietário do avião nem ter conhecimento de eventual vínculo com o empresário. Em entrevistas, disse que costuma embarcar em aeronaves sem saber quem é o dono e que, na época, não havia suspeitas que o levassem a investigar a origem do jato.
O caso agora depende de análise da Justiça Eleitoral, que poderá decidir sobre a abertura de investigação formal.
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