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Jair Bolsonaro e generais enfrentam Justiça Militar após STF

A Primeira Turma do STF condena Jair Bolsonaro e aliados a penas severas, com possibilidade de perda de patente militar

A Primeira Turma do STF condena Jair Bolsonaro e aliados a penas severas, com possibilidade de perda de patente militar - Imagem: Reprodução / Valter Campanato / Agência Brasil
A Primeira Turma do STF condena Jair Bolsonaro e aliados a penas severas, com possibilidade de perda de patente militar - Imagem: Reprodução / Valter Campanato / Agência Brasil

Gabriela Thier Publicado em 12/09/2025, às 15h52


A Primeira Turma do Supremo Tribunal Federal (STF) tomou uma decisão histórica ao condenar o ex-presidente Jair Bolsonaro e sete de seus aliados. O tribunal ordenou que o Superior Tribunal Militar (STM) avalie a perda da patente dos militares envolvidos na ação penal referente ao esquema golpista.

Com essa deliberação, figuras proeminentes como Bolsonaro, que possui o posto de capitão da reserva do Exército, além dos generais Augusto Heleno, Paulo Sergio Nogueira e Braga Netto, assim como o almirante Almir Garnier, deverão ser submetidos à Justiça Militar. De acordo com a Constituição Brasileira, oficiais das Forças Armadas podem ser expulsos em casos de condenações superiores a dois anos de reclusão.

É importante ressaltar que a análise pelo STM só poderá ser realizada após o trânsito em julgado do processo relacionado ao alegado golpe, ou seja, somente quando todas as possibilidades de recursos contra a condenação forem esgotadas.

No entanto, essa determinação não se aplica ao tenente-coronel Mauro Cid, que atua como réu e delator no mesmo caso. Cid já foi condenado a dois anos de prisão em regime aberto e recebeu garantias de liberdade.

Essa decisão sobre o regime aberto foi proposta pelo relator do processo, ministro Alexandre de Moraes, durante a fase em que o tribunal analisava as sentenças dos réus envolvidos na trama golpista.

Em relação às penas impostas, a maioria dos réus foi condenada pelo STF a mais de 20 anos de prisão em regime fechado. Contudo, mesmo após a definição das penas, Bolsonaro e seus aliados não serão imediatamente encarcerados; eles ainda têm o direito de recorrer da decisão e tentar reverter as condenações. Somente após a rejeição desses recursos é que as prisões poderão ser efetivadas.

Atualmente, o ex-presidente encontra-se sob prisão domiciliar, mas isso se deve a um outro processo. Ele está sendo investigado por sua colaboração com o governo do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, para implementar medidas de retaliação contra o governo brasileiro e os ministros do STF.

Além disso, foram adotadas várias medidas cautelares no inquérito que investiga o deputado federal Eduardo Bolsonaro (PL-SP), filho do ex-presidente. As investigações revelam sua participação em ações junto ao governo Trump visando retaliar autoridades brasileiras e ministros do Supremo.

No decorrer deste processo, há indícios de que Bolsonaro enviou recursos via Pix para custear a estadia de seu filho no exterior. Eduardo pediu licença do mandato parlamentar em março e se mudou para os Estados Unidos alegando perseguição política. Em agosto passado, a Polícia Federal indiciou tanto Bolsonaro quanto seu filho pelos crimes de coação no curso do processo e tentativa de abolição do Estado Democrático de Direito.

Adicionalmente, o STF decidiu pela demissão do ex-ministro da Justiça Anderson Torres e do ex-diretor da Agência Brasileira de Inteligência (Abin), Alexandre Ramagem, dos cargos de delegado da Polícia Federal. Ambos já estavam afastados da corporação e agora devem perder suas funções devido à condenação imposta pela Corte.


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