Missão formada por integrantes do Departamento de Estado previa reuniões em Brasília antes das eleições de outubro e despertou preocupação no governo brasileiro sobre uma possível tentativa de deslegitimar o sistema eleitoral.

Ana Beatriz Silva Publicado em 25/07/2026, às 15h30
O governo dos EUA enviará dois representantes ao Brasil para discutir o sistema eleitoral às vésperas das eleições de outubro, levantando preocupações sobre a segurança das urnas eletrônicas. A missão pode impactar a legitimidade das eleições de 2026, segundo autoridades brasileiras.
A delegação, composta por membros do Departamento de Estado, busca questionar a integridade das urnas, em meio a um aumento de críticas ao sistema eleitoral, especialmente por parte de figuras políticas como o senador Flávio Bolsonaro. O Tribunal Superior Eleitoral refutou alegações de vulnerabilidades associadas à empresa Smartmatic.
As autoridades brasileiras temem que a missão norte-americana alimente narrativas de desconfiança nas redes sociais, semelhante ao que ocorreu nas eleições de 2022. A Justiça Eleitoral já estabeleceu mecanismos de fiscalização para garantir a transparência do processo eleitoral de 2026, programado para o primeiro turno em 4 de outubro.
O governo do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, preparou o envio de dois integrantes do Departamento de Estado ao Brasil para tratar do sistema eleitoral brasileiro às vésperas das eleições gerais de outubro.
A missão teria como integrantes Riley M. Barnes, secretário assistente do Bureau de Democracia, Direitos Humanos e Trabalho, e Samuel Samson, secretário assistente adjunto da mesma área. Os dois são indicados políticos da atual administração norte-americana e planejavam viajar a Brasília nos dias seguintes à revelação do caso.
Segundo informações publicadas inicialmente pelo jornal The Washington Post, a delegação pretendia levantar questionamentos sobre a segurança e a integridade das urnas eletrônicas utilizadas no Brasil. O plano também foi confirmado posteriormente pela Reuters, com base em relatos de autoridades brasileiras que acompanharam as articulações diplomáticas.
O Departamento de Estado confirmou ao jornal norte-americano que Barnes e Samson planejavam viajar ao Brasil. A pasta, no entanto, não detalhou publicamente quais reuniões seriam realizadas nem respondeu diretamente aos questionamentos sobre o objetivo político da missão.
Governo brasileiro suspeitou de relatório contra as urnas
Integrantes do governo brasileiro demonstraram preocupação com a possibilidade de os emissários procurarem críticos do sistema eletrônico de votação e utilizarem essas manifestações na elaboração de um relatório contra as urnas brasileiras.
A suspeita apresentada por autoridades ouvidas pelo Washington Post era de que o documento poderia ser usado posteriormente para alimentar dúvidas sobre a legitimidade das eleições de 2026. As fontes falaram sob condição de anonimato devido à sensibilidade diplomática do episódio.
Na avaliação dessas autoridades, uma missão estrangeira com o objetivo de questionar o processo eleitoral poderia interferir no ambiente político brasileiro e fortalecer discursos de contestação ao resultado da votação.
Até a divulgação das primeiras informações, porém, o governo dos Estados Unidos não havia apresentado publicamente um documento que comprovasse falhas ou vulnerabilidades no sistema eleitoral brasileiro.
Viagem ocorre em meio a novas críticas às urnas
A preparação da missão aconteceu depois de novos questionamentos sobre as urnas eletrônicas ganharem espaço no debate político.
Durante um encontro com diplomatas estrangeiros, o senador Flávio Bolsonaro defendeu o envio de observadores internacionais para acompanhar as eleições e associou o sistema brasileiro à empresa Smartmatic, envolvida em controvérsias eleitorais em outros países.
O Tribunal Superior Eleitoral afirmou que a informação é falsa. Segundo a Corte, a Smartmatic não fornece urnas eletrônicas nem desenvolve os programas utilizados na votação brasileira.
O projeto das urnas e do sistema eletrônico de votação foi concebido e é administrado pela própria Justiça Eleitoral. A empresa prestou apenas serviços específicos de conexão de dados e treinamento de profissionais em contratos anteriores, sem participar da programação ou da operação dos equipamentos.
Flávio Bolsonaro declarou que não havia colocado em dúvida a integridade do sistema eleitoral. Mesmo assim, autoridades brasileiras avaliaram que a fala e a preparação da missão norte-americana poderiam contribuir para o crescimento de narrativas de desconfiança nas redes sociais.
Histórico de questionamentos
As urnas eletrônicas também foram alvo de críticas recorrentes do ex-presidente Jair Bolsonaro antes das eleições de 2022. Naquele período, Bolsonaro reuniu embaixadores estrangeiros para apresentar alegações sem comprovação sobre possíveis vulnerabilidades no sistema.
O Tribunal Superior Eleitoral concluiu posteriormente que o ex-presidente usou indevidamente o cargo e os meios de comunicação naquele encontro. A decisão tornou Bolsonaro inelegível até 2030.
Agora, com a proximidade de uma nova eleição presidencial, autoridades brasileiras temem que questionamentos semelhantes sejam retomados com apoio político internacional.
Sistemas podem ser fiscalizados
O calendário eleitoral garante que entidades autorizadas tenham acesso antecipado aos sistemas desenvolvidos pelo TSE para realizar inspeções e acompanhar os trabalhos de preparação.
O acesso aos sistemas das Eleições de 2026 está previsto desde 4 de outubro de 2025, um ano antes do primeiro turno. Partidos políticos, Ministério Público, Ordem dos Advogados do Brasil, Congresso Nacional, universidades e outras instituições autorizadas podem participar das etapas de fiscalização e auditoria.
A Justiça Eleitoral também realiza procedimentos como inspeção dos códigos fonte, testes públicos de segurança, verificação das assinaturas digitais, auditorias de funcionamento das urnas e conferência dos sistemas de totalização.
O primeiro turno das Eleições Gerais de 2026 será realizado em 4 de outubro. Mais de 155 milhões de pessoas estarão aptas a escolher presidente, governadores, senadores e deputados. Caso seja necessário, o segundo turno ocorrerá em 25 de outubro.
Cresce tensão entre Brasil e Estados Unidos
A missão preparada pelo governo Trump ampliou a tensão diplomática entre Brasília e Washington.
Além das divergências envolvendo o processo eleitoral, os dois governos acumulam conflitos relacionados a tarifas comerciais, plataformas digitais, decisões do Supremo Tribunal Federal e à aproximação de integrantes da família Bolsonaro com a administração norte-americana.
A possível atuação de representantes estrangeiros em torno das urnas coloca no centro do debate a soberania brasileira e os limites da participação internacional no acompanhamento das eleições.
Embora missões de observação eleitoral sejam comuns e possam contribuir para a transparência dos pleitos, a preocupação manifestada por autoridades brasileiras estava relacionada ao possível uso político da viagem para produzir questionamentos sem fundamentação técnica contra o sistema de votação.
Leia também

Eduardo Moura gera repercussão após declaração sobre conteúdo ilegal em debate

Hospitais suspendem atendimento a planos da Geap por atrasos em pagamentos

Influência política de "Waguinho Batman" não impede elogios por sua prisão

Inmet alerta para tempestades, ventos fortes e risco de granizo em São Paulo

EXPLÍCITO: MC Mirella apela com vídeo de sexo para promover OnlyFans; assista

Brasil supera a Itália no tie-break e está na decisão da Liga das Nações

PT oficializa Fernando Haddad como candidato ao governo de São Paulo

Emissários de Trump viriam ao Brasil para questionar segurança das urnas eletrônicas

Infantino envia carta à Argentina, exalta campanha na Copa e prevê novos títulos

Lula diz que quem se meter nas eleições brasileiras “vai apanhar muito”