Projeto aprovado pelo Congresso pode antecipar mudança de regime do ex-presidente, mas aplicação depende de promulgação e análise do STF.

Ana Beatriz Publicado em 30/04/2026, às 20h16
A derrubada do veto do presidente Lula pelo Congresso reativa o PL da Dosimetria, impactando o futuro jurídico de condenados pelos atos de 8 de janeiro, incluindo Jair Bolsonaro.
A nova legislação redefine os critérios de dosimetria das penas, o que pode resultar na redução das punições já estabelecidas, afetando diretamente o tempo de progressão de regime de Bolsonaro.
Após a promulgação, a aplicação da lei dependerá de análises individuais pelo Supremo Tribunal Federal, que terá a responsabilidade de revisar os casos relacionados aos ataques, aumentando a tensão entre os Poderes.
A derrubada do veto do presidente Luiz Inácio Lula da Silva pelo Congresso Nacional, nesta quinta-feira (30), ampliou os efeitos do chamado PL da Dosimetria e colocou o ex-presidente Jair Bolsonaro no centro de um novo capítulo jurídico e político no país.
O projeto, identificado como PL 3535/2025, redefine critérios para cálculo das penas aplicadas aos condenados pelos atos de 8 de janeiro de 2023. Na prática, a proposta permite a revisão das condenações com base em novos parâmetros, o que pode resultar em reduções significativas no tempo total de prisão.
Entre os principais efeitos apontados está a possibilidade de diminuição de penas originalmente elevadas. No caso de Bolsonaro, informações associadas ao impacto do projeto indicam que condenações superiores a duas décadas poderiam ser recalculadas para patamares menores, alterando diretamente o tempo necessário para progressão de regime.
Outro ponto central do texto é a flexibilização das regras para mudança de regime prisional. Com a nova lei, condenados poderiam avançar para regimes mais brandos após o cumprimento de uma fração menor da pena, como um sexto do total, o que, na prática, antecipa benefícios como o regime semiaberto ou até a prisão domiciliar.
Analistas avaliam que o novo modelo também pode facilitar a conversão para prisão domiciliar em determinados casos, especialmente quando não houver comprovação de liderança direta nos atos investigados. Esse aspecto tem sido um dos mais controversos do projeto.
Críticos classificam a proposta como uma espécie de anistia indireta, ao reavaliar punições de crimes cometidos em contexto coletivo, reduzindo o peso de acusações acumuladas. Já defensores argumentam que o texto corrige distorções na dosimetria e garante maior proporcionalidade nas condenações.
Apesar do impacto potencial, a aplicação da nova lei não será automática. Após a promulgação, que deve ocorrer em até 48 horas pelo presidente da República ou, em caso de omissão, pelo presidente do Senado, Davi Alcolumbre, o texto passa a ter validade imediata.
No entanto, caberá ao Supremo Tribunal Federal revisar caso a caso. Para isso, será necessário que os processos sejam novamente levados à Corte por meio de pedidos das defesas, do Ministério Público ou por iniciativa dos ministros relatores.
A decisão do Congresso não apenas representa mais uma derrota política para o governo federal, como também transfere ao Judiciário a responsabilidade final sobre o alcance da nova legislação. O tema deve intensificar o embate entre os Poderes e ampliar a polarização em torno das punições aplicadas aos envolvidos nos ataques que marcaram a história recente da democracia brasileira.
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