Negociações sobre vice-governador e vagas ao Senado expõem tensões nos bastidores da base aliada para 2026

Letícia Sales Publicado em 21/01/2026, às 14h31
A montagem da chapa do governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), para a eleição de 2026 tem provocado disputas internas e intensificado articulações nos bastidores políticos. Com a tendência de o governador buscar a reeleição no Palácio dos Bandeirantes, aliados passaram a disputar espaço tanto na vaga de vice-governador quanto nas duas cadeiras ao Senado em jogo no estado.
Embora o nome de Tarcísio ainda seja citado por apoiadores como opção para uma candidatura presidencial, interlocutores avaliam que o cenário mais provável é a manutenção do projeto estadual. A partir dessa definição informal, cresceram as movimentações em torno da composição da chapa.
Para o posto de vice, o atual ocupante do cargo, Felício Ramuth (PSD), aparece como favorito. Integrante da chapa eleita em 2022, ele conta com a simpatia do governador e de aliados próximos, que defendem a continuidade como sinal de estabilidade política e administrativa.
Outro nome que circula é o do secretário de Governo e Relações Institucionais, Gilberto Kassab (PSD). Apesar de sua influência política, Kassab enfrenta resistências, sobretudo entre setores do eleitorado bolsonarista, que veem com desconfiança o fato de seu partido integrar a base do governo Lula. Além disso, seu protagonismo na articulação de filiações de prefeitos e suas ambições futuras alimentam receios dentro da própria base.
Também aparece nas conversas o deputado estadual André do Prado (PL), presidente da Assembleia Legislativa de São Paulo. A eventual entrada do parlamentar na chapa, no entanto, é vista com cautela por aliados, já que ampliaria o espaço do PL e poderia gerar desequilíbrios na distribuição de forças entre os partidos da coalizão.
A disputa se estende às duas vagas ao Senado. No campo conservador, o nome do ex-secretário de Segurança Pública Guilherme Derrite (PP) é tratado como praticamente consensual para uma das cadeiras. Já a definição do segundo candidato segue em aberto e, segundo lideranças partidárias, deve passar diretamente pelo crivo do ex-presidente Jair Bolsonaro.
Com interesses partidários cruzados e projeções nacionais em jogo, a formação da chapa de Tarcísio se tornou um dos principais focos de tensão política em São Paulo na largada informal para a corrida eleitoral de 2026.
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