Carta foi assinada por mais de 950 mil pessoas e ato contou com discursos de personalidades, manifestações e 200 pessoas assistindo por meio de telões do lado de fora do prédio

Fernanda Viana Publicado em 11/08/2022, às 15h00
A carta pela democracia foi lida nesta quinta-feira (11) em evento organizado pela Faculdade de Direito da USP, em São Francisco, na região central de São Paulo.
O documento, que já possui mais de 950 mil assinaturas, foi lido no Pátio das Arcadas, mesmo local onde foi lida a "Carta aos Brasileiros", em 1977.
A leitura foi feita em partes por Eunice de Jesus Prudente, Maria Paula Dallari Bucci e Ana Elisa Liberatore Bechara, professoras da Faculdade de Direito da USP, e pelo jurista Flávio Flores da Cunha Bierrenbach, ex-ministro do STM (Superior Tribunal Militar).
A plateia que acompanhava o evento reagiu com gritos de “Fora Bolsonaro”, embora a carta não cite diretamente o presidente Jair Bolsonaro (PL).
Mesmo assim, a carta é vista como uma resposta às declarações do presidente contra o processo eleitoral brasileiro, em especial contra as urnas eletrônicas.
O secretário-geral da UGT (União Geral dos Trabalhadores), Francisco Canindé Pegado, chegou a citar indiretamente o presidente, que minimizou o documento ao chamá-lo de “cartinha”.
"Não é um bilhete ou uma cartinha, como alguém insinua. Respeitem esta carta!”
Mais cedo, no mesmo local, foi lida outra carta em defesa da democracia, redigida pelo FIESP(Federação das Indústrias do Estado de São Paulo)
O manifesto da Fiesp foi lido pelo advogado José Carlos Dias, ex-ministro da Justiça, no Salão Nobre do prédio, e foi interrompida por aplausos ao citar a importância do STF para a democracia do país
Os dois locais estavam lotados por políticos, membros da sociedade civil e celebridades, que aplaudiram de pé.
Além dos dois documentos, foram feitos discursos por acadêmicos e lideranças de diversos setores da sociedade civil, que terminaram sob aplausos e gritos de “viva a democracia” e “ditadura nunca mais”.
"Queremos eleições livres e tranquilas, um processo eleitoral sem fake news, pós-verdades ou intimidações. Estamos voltados a impedir retrocessos. Espero que essa mobilização nos coloque novamente no caminho correto na discussão do futuro de São Paulo e do Brasil", disse Carlos Gilberto Carlotti Júnior, reitor da universidade de direito da USP.
"Não queremos a democracia da fome, das chacinas e, tampouco, a democracia dos ricos. Queremos a democracia dos povos", disse Manuela Morais, presidente do centro acadêmico XI de Agosto, ao lembrar das ações policiais que marcaram o ano.
Cerca de 200 pessoas se reuniram do lado de fora da faculdade para acompanhar o ato por meio de telões.
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