Cerca de 1 milhão de focos registrados foram agravados pela seca histórica

Gabriela Thier Publicado em 04/01/2025, às 11h28
Dados recentes da plataforma Terrabrasilis, gerida pelo Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), revelam que o Brasil contabilizou cerca de 1 milhão de focos de queimadas entre os anos de 2020 e 2024. O ano de 2024 destacou-se como o mais crítico nesse período, sendo apontado pelo Ministério do Meio Ambiente e da Mudança do Clima (MMA) como resultado de uma seca excepcional, considerada a pior nos últimos 74 anos.
A análise dos dados mostra que a maior concentração de queimadas ocorreu em cinco estados brasileiros. Ao todo, foram registrados 628.365 focos em cinco anos, com os números mais alarmantes provenientes do Pará (200.685), Mato Grosso (171.534), Amazonas (97.885), Maranhão (97.124) e Tocantins (61.137). Esse padrão se assemelha a uma "estrada de fogo" que atravessa o país, coincidindo com áreas de expansão agrícola voltadas especialmente para a produção de soja e pastagem, além de regiões afetadas pela grilagem de terras e garimpo ilegal. Comparando os dados de 2024 com os do ano anterior, todos esses estados apresentaram um aumento significativo nos registros de incêndios, com Mato Grosso liderando com um incremento de 130% e Tocantins seguindo com um aumento de 78%.
Um aspecto novo observado em 2024 foi o crescimento no número de incêndios em áreas sem Cadastro Ambiental Rural (CAR), que não são formalmente reconhecidas como propriedades rurais. Entre 2020 e 2023, esses registros representavam aproximadamente 20% do total nos cinco estados mais afetados durante os meses críticos, especificamente agosto e setembro. No entanto, em 2024, essa porcentagem subiu para 29,2%. Adicionalmente, houve um aumento na participação das grandes propriedades nos registros, passando de uma média de 35% para 40%.
Diante desse cenário alarmante, as autoridades governamentais intensificaram suas respostas. Em nível federal, foi finalizada a elaboração da Política Nacional de Manejo Integrado do Fogo, que entrará em vigor em 2025. Segundo informações do MMA, essa política visa fortalecer a coordenação entre União, estados e municípios, um passo considerado essencial para promover reações mais rápidas frente aos incêndios. A criação dessa política ocorreu durante uma crise severa, em julho de 2024, após a seca impactar gravemente a região do Pantanal.
Além disso, o Ministério anunciou a alocação de R$ 280 milhões provenientes do Fundo Amazônia para auxiliar no combate aos incêndios nos estados afetados. Esse valor se junta a cerca de R$ 650 milhões do Orçamento federal destinado à mesma finalidade. O principal objetivo é evitar que o ano de 2024 seja lembrado como um dos piores anos para queimadas desde 2010.
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