Diário de São Paulo
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STF abre prazo para PGR analisar investigação contra Flávio Bolsonaro por suposta calúnia contra Lula

Ministro Alexandre de Moraes determinou manifestação da Procuradoria-Geral da República após relatório da Polícia Federal concluir que senador atribuiu falsamente crimes ao presidente da República em publicação nas redes sociais.

Moraes deu prazo de 15 dias para que a PGR se manifeste sobre o relatório da PF que concluiu haver indícios de calúnia - Imagem: Reprodução
Moraes deu prazo de 15 dias para que a PGR se manifeste sobre o relatório da PF que concluiu haver indícios de calúnia - Imagem: Reprodução

Ana Beatriz Publicado em 29/06/2026, às 15h23


O ministro do STF, Alexandre de Moraes, deu um prazo de 15 dias para a PGR se manifestar sobre o inquérito que investiga o senador Flávio Bolsonaro por calúnia contra o presidente Lula, após a Polícia Federal apontar indícios do crime em uma publicação do parlamentar.

A investigação se originou de uma postagem de Flávio em janeiro, onde ele fez acusações graves contra Lula sem apresentar provas, o que, segundo a PF, ultrapassou os limites da crítica política e configurou falsa imputação de crimes.

Com a PGR agora analisando o caso, o processo avança para uma fase crucial, onde será decidido se há base suficiente para responsabilização criminal do senador, sem que haja, até o momento, uma decisão sobre culpa ou condenação.

O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Alexandre de Moraes, concedeu prazo de 15 dias para que a Procuradoria-Geral da República (PGR) apresente manifestação sobre o inquérito que apura se o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) cometeu o crime de calúnia contra o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) em uma publicação feita nas redes sociais.

A decisão foi assinada na última sexta-feira, 26 de junho, e passou a constar oficialmente no andamento do processo nesta segunda-feira, 29 de junho. O próximo passo do caso dependerá da análise da PGR, que poderá se manifestar pelo arquivamento, pelo oferecimento de denúncia ou por outras providências previstas em lei.

O inquérito ganhou novo capítulo após a Polícia Federal concluir, em relatório final encaminhado ao STF, que há elementos para caracterizar o crime de calúnia. Segundo a corporação, Flávio Bolsonaro atribuiu falsamente ao presidente Lula a prática de crimes como tráfico internacional de drogas, tráfico internacional de armas e lavagem de dinheiro.

A investigação teve origem em uma publicação feita pelo senador na rede social X, em janeiro deste ano, quando comentava a captura do presidente venezuelano Nicolás Maduro por autoridades dos Estados Unidos. Na ocasião, Flávio escreveu que Lula seria delatado e associou o presidente brasileiro a organizações criminosas e ao Foro de São Paulo, mencionando crimes graves sem apresentar comprovação.

Para a Polícia Federal, o conteúdo extrapolou os limites da crítica política e configurou a falsa imputação de crimes tipificados no ordenamento jurídico brasileiro. A conclusão foi encaminhada ao Supremo Tribunal Federal, responsável pela condução do inquérito.

Com a abertura de prazo para a manifestação da Procuradoria-Geral da República, o processo entra em uma fase decisiva. Caberá ao órgão analisar as conclusões da investigação e definir se existem elementos suficientes para eventual responsabilização criminal do parlamentar.

Até o momento, não há decisão sobre culpa ou condenação. A manifestação da PGR é uma etapa processual obrigatória antes de qualquer eventual decisão do Supremo Tribunal Federal sobre o prosseguimento da ação.