Diário de São Paulo
Siga-nos
Cooperação Internacional

Brasil e Bolívia firmam acordo para combater crime organizado na fronteira

Tratado assinado em Brasília prevê troca de informações, ações conjuntas contra narcotráfico e contrabando, além de cooperação tecnológica entre os dois países.

Presidentes Lula e Rodrigo Paz durante assinatura de acordo entre Brasil e Bolívia - Imagem: Reprodução
Presidentes Lula e Rodrigo Paz durante assinatura de acordo entre Brasil e Bolívia - Imagem: Reprodução

Ana Beatriz Publicado em 16/03/2026, às 18h20


Brasil e Bolívia assinaram um acordo de cooperação para combater o crime organizado transnacional, durante a visita do presidente boliviano Rodrigo Paz a Brasília, visando fortalecer a segurança na região de fronteira, estratégica para o tráfico e contrabando.

O tratado abrange diversas modalidades de criminalidade, incluindo narcotráfico, tráfico de pessoas e crimes cibernéticos, e prevê ações conjuntas entre as forças de segurança e troca de informações entre os dois países.

Além do combate ao crime, os presidentes discutiram parcerias em turismo, energia e desenvolvimento econômico, enquanto a visita de Paz se insere em um esforço maior de cooperação regional contra organizações criminosas na América do Sul.

Os governos do Brasil e da Bolívia firmaram nesta segunda-feira (16) um acordo de cooperação para fortalecer o combate ao crime organizado transnacional. O tratado foi assinado durante visita oficial do presidente boliviano Rodrigo Paz a Brasília, onde ele se reuniu com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva no Palácio do Planalto.

O documento estabelece uma série de mecanismos de cooperação entre os dois países para prevenir, investigar e reprimir organizações criminosas que atuam em escala internacional, especialmente na região de fronteira entre Brasil e Bolívia, considerada estratégica para rotas de tráfico e contrabando na América do Sul.

A parceria prevê ações conjuntas entre forças de segurança, ministérios e órgãos de investigação dos dois países, com o objetivo de ampliar a troca de informações e aprimorar métodos de combate a crimes que ultrapassam fronteiras nacionais.

Segundo os governos, o acordo foi estruturado para enfrentar diferentes modalidades de criminalidade transnacional que impactam diretamente a segurança pública na região.

Entre os crimes citados no tratado estão:

  • tráfico de pessoas
  • contrabando de migrantes
  • roubo e tráfico internacional de veículos
  • contrabando de mercadorias
  • narcotráfico
  • corrupção e lavagem de dinheiro
  • mineração ilegal
  • tráfico de armas
  • crimes cibernéticos
  • crimes ambientais

A cooperação prevê o intercâmbio de dados sobre investigações em andamento, compartilhamento de tecnologias de inteligência policial e capacitação de agentes de segurança dos dois países.

Além disso, o acordo estabelece mecanismos para facilitar a localização e captura de criminosos que cruzam a fronteira para evitar a ação das autoridades.

Especialistas em segurança pública apontam que a fronteira entre Brasil e Bolívia é considerada uma das principais rotas do narcotráfico na América do Sul, especialmente para o transporte de cocaína produzida em países andinos.

Com mais de 3 mil quilômetros de extensão, a fronteira entre os dois países atravessa regiões de difícil monitoramento, incluindo áreas de floresta e zonas rurais, o que facilita a atuação de redes criminosas.

Por isso, autoridades brasileiras e bolivianas consideram que a cooperação bilateral é essencial para ampliar a capacidade de resposta das forças de segurança.

Durante o encontro em Brasília, os presidentes também discutiram temas relacionados ao desenvolvimento econômico e à integração regional.

Além do acordo na área de segurança, Brasil e Bolívia firmaram parcerias voltadas para:

  • turismo
  • cooperação energética
  • integração econômica
  • desenvolvimento regional

O presidente boliviano Rodrigo Paz cumpre agenda oficial no Brasil até terça-feira (17), quando participará de um fórum empresarial em São Paulo que reunirá empresários bolivianos e brasileiros interessados em ampliar investimentos e parcerias comerciais entre os dois países.

A visita ocorre em um momento em que governos da América do Sul buscam fortalecer mecanismos de cooperação regional para enfrentar o avanço de organizações criminosas transnacionais que atuam em diversas áreas do continente.


últimas notícias