Pouco antes da abertura da bolsa de valores nesta segunda-feira, o presidente Jair Bolsonaro voltou à carga contra a sistemática de definição de preços

Redação Publicado em 22/02/2021, às 00h00 - Atualizado às 11h33
Pouco antes da abertura da bolsa de valores nesta segunda-feira, o presidente Jair Bolsonaro voltou à carga contra a sistemática de definição de preços da Petrobras. Afirmou que a atual política atende aos interesses de “alguns grupos do Brasil”, criticou o trabalho do presidente da estatal, Roberto Castello Branco, e disse que a Lei de Reponsabilidade Fiscal prevê que, em estado de calamidade, a companhia deve “olhar para outros objetivos”.
Em conversa com apoiadores, em frente ao Palácio da Alvorada, o presidente provocou: “O petróleo é nosso? Ou é de um pequeno grupo no Brasil?”
Na última sexta, Bolsonaro anunciou que Castello Branco será substituído pelo general Joaquim Silva e Luna, atual presidente da Itaipu Binacional. Pressionado por caminhoneiros pelos recentes reajustes no preço do diesel, Bolsonaro defende que a composição dos preços e reajuste precisa de transparência e previsibilidade. Na primeira hora de pregão, os papéis da empresa perdiam 20%.
“É sinal que alguns do mercado financeiro estão muito felizes com a política que só tem um viés na Petrobras, atender os interesses de alguns grupos do Brasil”, disse o presidente. “A Petrobras, em um estado de calamidade, de acordo com o artigo 65 da Lei de Responsabilidade Fiscal, tem que olhar para outros objetivos também”.
Depois de elogiar o general Silva e Luna por sua atuação em Itaipu, o presidente disse que é “inadmissível” o fato de o atual presidente da Petrobras trabalhar de forma remota durante a pandemia.
“Isso é inadmissível. Imagine eu trabalhando de casa, com medo do covid?”, reclamou. “Pode até estar fazendo bom trabalho de casa, mas para mim não se justifica ausência da empresa”.
Aos apoiadores, o presidente revelou que o presidente da estatal recebe mais de R$ 50 mil por semana, defendeu que “não pode ter este tipo de política salarial lá dentro” e sugeriu que falta eficiência entre parte dos servidores. “O ritmo de trabalho de muitos servidores lá [na Petrobras] está diferenciado”, acrescentou.
Sem entrar em detalhes sobre que mudanças exigirá na Petrobras, Bolsonaro voltou a dizer que não irá interferir na política de preços. “Mas não consigo entender num prazo de duas semanas ter reajuste em 15% [no diesel]”, afirmou. “Não foi esta a variação do dólar aqui dentro e do barril lá fora, tem coisa que tem que ser explicada. Eu não peço, eu exijo transparência de quem é subordinado meu, a Petrobras não é diferente”.
Na tentativa de reduzir o preço final dos combustíveis, na última semana Bolsonaro anunciou que irá zerar a cobrança de PIS/Cofins do diesel a partir de março, com validade de dois meses. Para ele, a cobrança de ICMS também precisa ser alterada. Um projeto propondo mudanças foi enviado pelo Planalto ao Congresso.
O presidente reclamou que ninguém no governo estava tomando providências para reduzir o preço ao consumidor. “No fundo, ninguém fazia nada, eu tenho que descobrir sozinho isso. A gente vai mudar, mudanças teremos no governo sempre que se fizer necessário”, assegurou. “Não tenho preocupação nenhuma a não ser atender ao interesse público”.
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