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Câmara acelera votação de projeto que equipara misoginia ao racismo

Texto prevê penas mais rigorosas para atos de discriminação contra mulheres, incluindo punições para crimes praticados nas redes sociais

Presidente da Casa sinaliza prioridade para análise do projeto - Imagem: Lula Marques/Agência Brasil
Presidente da Casa sinaliza prioridade para análise do projeto - Imagem: Lula Marques/Agência Brasil

Lívia Gennari Publicado em 15/06/2026, às 17h22


O presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta (Republicanos-PB), informou nesta segunda-feira (15) que o plenário deverá analisar ainda nesta semana duas propostas consideradas prioritárias: o projeto que equipara atos de misoginia ao crime de racismo e a iniciativa que busca extinguir a escala de trabalho 6x1 por meio de alterações na legislação infraconstitucional.

Entre os textos que avançam na Casa está a proposta voltada ao combate à discriminação contra mulheres. A matéria, que já recebeu aval do Senado, está em fase final de discussão na Câmara e amplia o alcance da Lei Antirracismo para incluir condutas caracterizadas pelo menosprezo ou discriminação em razão do gênero feminino.

Pelo projeto, serão enquadradas como misoginia práticas que incentivem, promovam ou estimulem a violência contra mulheres, neguem a elas igualdade de direitos ou atentem contra sua dignidade. A proposta também estabelece punições semelhantes às previstas para crimes raciais.

O texto prevê pena de dois a cinco anos de prisão para casos de injúria motivada pela condição de mulher. Quando a infração for cometida por duas ou mais pessoas, a sanção poderá ser aumentada. Além disso, a proposta inclui a discriminação contra mulheres entre os crimes já previstos na legislação para atos de preconceito, cuja pena varia de um a três anos de reclusão, além de multa.

Outro ponto previsto é a possibilidade de suspensão temporária de perfis e contas em redes sociais ou aplicativos utilizados para a prática das infrações. A medida busca atingir especialmente casos de ataques e campanhas discriminatórias disseminadas em ambientes digitais.

O anúncio da votação ocorre após a apresentação do parecer da deputada Tabata Amaral (PSB-SP), responsável pela relatoria da proposta. O relatório deverá ser analisado pelo grupo de trabalho nesta terça-feira (16) antes de seguir para apreciação do plenário.

Entre as alterações sugeridas pela parlamentar está a substituição de termos como “ódio” e “aversão”, presentes na versão aprovada pelo Senado, por expressões como “menosprezo” e “discriminação”. Segundo a relatora, a mudança pretende tornar a redação mais objetiva e reduzir possíveis divergências de interpretação jurídica.

Ao defender a iniciativa, Tabata afirmou que a proposta representa uma resposta ao aumento dos casos de violência contra mulheres e à disseminação de conteúdos discriminatórios em diferentes espaços, especialmente nas plataformas digitais.

Após a votação no grupo de trabalho, a expectativa é que a proposta seja encaminhada ao plenário da Câmara ainda nesta semana. Caso seja aprovada sem alterações pelos deputados, o texto seguirá para sanção presidencial e poderá integrar o conjunto de medidas voltadas ao enfrentamento da violência e da discriminação contra mulheres no país.


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