Ex-presidente tentou abrir a tornozeleira eletrônica com um ferro de solda, atribuindo a ação a um surto

Redação Publicado em 23/11/2025, às 15h54
O ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) teve sua audiência de custódia finalizada no começo da tarde deste domingo (23), em uma sessão que durou cerca de meia hora por chamada de vídeo. A tentativa de danificar o aparelho de monitoramento que usava teria sido causada por um suposto "surto", que ele ligou ao uso de remédios. No entanto, ele negou que o plano fosse tentar escapar.
O procedimento, que teve um formato mais simples e formal, foi conduzido por um juiz que trabalha no gabinete do ministro Alexandre de Moraes, mas sem a presença direta do ministro. O objetivo principal era checar as condições em que o ex-presidente foi apresentado, ter certeza de que ele estava a par dos seus direitos e registrar o que a defesa tinha a dizer. Mesmo após a audiência, Bolsonaro continua detido de forma preventiva na sede da Polícia Federal, em Brasília.
Versão do Ex-Presidente
De acordo com o registro oficial da audiência, Bolsonaro contou que sentiu uma "certa paranoia" na noite de sexta-feira (21) e madrugada de sábado (22). Ele atribuiu esse estado a uma mistura que, segundo ele, não deu certo entre dois medicamentos que estava tomando: Pregabalina e a Sertralina, ambos receitados por médicos diferentes.
Ele explicou que não tem dormido bem e costuma ter o sono interrompido, o que, na sua visão, piorou a situação. O relato indica que, por volta da meia-noite, ele usou um ferro de solda para tentar abrir a tornozeleira, afirmando ter experiência para manusear esse tipo de equipamento. O ex-presidente disse ainda que desistiu da ideia depois de "cair na razão" e, logo depois, avisou os agentes sobre o que tinha feito.
O documento aponta que Bolsonaro chegou a ter a "alucinação de que tinha alguma escuta na tornozeleira", o que o levou a tentar forçar a abertura da tampa do dispositivo. Ele afirmou que não se lembra de ter tido uma crise semelhante antes. A audiência foi um elemento importante, pois confirmou o uso do ferro de solda, um ponto-chave para a Justiça decidir mantê-lo preso, por considerar que houve risco de fuga.
Apesar de o vídeo da audiência não ser divulgado pela Justiça, uma cópia do registro será incluída no processo principal, o de número 2.668, onde Bolsonaro foi condenado a 27 anos e 3 meses por envolvimento na tentativa de golpe.
O fim da audiência acontece justamente no dia final para a defesa do ex-presidente entregar suas justificativas para a violação da tornozeleira eletrônica. Os advogados têm até as 16h30 para enviar as explicações.
Um relatório da Secretaria de Administração Penitenciária do Distrito Federal já havia indicado que o aparelho apresentava marcas de queimadura e sinais de que havia sido mexido. O fato de Bolsonaro ter admitido o uso do ferro de solda na tentativa de abrir o item foi fundamental para a decisão de prisão preventiva, somando-se ao receio de que ele pudesse tentar se refugiar na Embaixada dos Estados Unidos e ao risco de confusão causado pela mobilização organizada por Flávio Bolsonaro.
A tornozeleira ainda será enviada para o Instituto Nacional de Criminalística da Polícia Federal, onde passará por uma análise detalhada. Serão feitos exames para procurar vestígios, identificar possíveis ferramentas usadas no dano e verificar se houve qualquer tipo de interferência no seu funcionamento.
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