Oposição pressiona STF por investigação após divulgação de supostos diálogos entre ministro e banqueiro

Erika Osti Publicado em 07/03/2026, às 16h00
A divulgação de supostas mensagens entre o ministro do Supremo Tribunal Federal, Alexandre de Moraes, e o banqueiro Daniel Vorcaro, controlador do Banco Master, provocou forte reação de parlamentares da oposição no Congresso Nacional. Senadores e deputados passaram a cobrar uma investigação da Procuradoria-Geral da República após a divulgação de prints atribuídos ao celular do empresário, analisados no âmbito da CPMI do INSS. Diante da repercussão política, Moraes divulgou nota oficial negando qualquer troca de mensagens com o banqueiro.
Segundo reportagens que tiveram acesso ao material, Vorcaro teria enviado mensagens no dia 17 de novembro de 2025, horas antes de ser preso em uma operação da Polícia Federal. Em um dos registros, o empresário teria questionado o interlocutor se determinada medida havia sido bloqueada. As mensagens teriam começado pela manhã e continuado ao longo do dia. Parte das respostas teria sido enviada no formato de visualização única, o que impede o armazenamento permanente do conteúdo.
Após a divulgação dos prints, o Supremo informou que uma análise técnica dos dados telemáticos extraídos do celular de Vorcaro não identificou mensagens direcionadas ao contato telefônico do ministro. De acordo com a Secretaria de Comunicação do tribunal, os arquivos indicam que os registros divulgados estão vinculados a outras pastas de contatos presentes no computador do empresário, e não ao número utilizado por Moraes.
Em nota, o gabinete do ministro afirmou que os dados periciados demonstram incompatibilidade entre os prints divulgados e o seu contato telefônico. O comunicado também explicou que as mensagens e os números associados aos arquivos aparecem vinculados a outros contatos armazenados nos dispositivos de Vorcaro.
O ministro informou ainda que não poderia revelar quem seria o verdadeiro destinatário das mensagens, pois os nomes e contatos relacionados ao material estão protegidos por sigilo judicial determinado pelo ministro André Mendonça.
A repercussão política foi imediata. O líder da oposição no Senado, Rogério Marinho, afirmou que o caso precisa ser esclarecido e que, se confirmadas, as mensagens representariam uma situação grave envolvendo um integrante da Suprema Corte. Para ele, a abertura de investigação independente ajudaria a preservar a credibilidade do Judiciário.
O senador Flávio Bolsonaro adotou tom mais duro e defendeu que Moraes renuncie ao cargo ou seja alvo de processo de impeachment no Senado. O parlamentar também criticou a ausência de investigação aberta até o momento pelo procurador-geral da República, Paulo Gonet.
Já o deputado federal Gilberto Silva afirmou que o Congresso deve analisar o caso e cumprir seu papel institucional diante das denúncias. Enquanto a oposição pressiona por apuração, o Supremo sustenta que as análises técnicas não indicam qualquer ligação entre as mensagens divulgadas e o ministro.
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