O pedido de indiciamento do presidente por incitação ao crime havia sido feito pela Polícia Federal

Vitória Tedeschi Publicado em 19/08/2022, às 19h29
Nesta sexta-feira (19), o ministro Alexandre de Moraes, o novo eleito presidente do TSE, encaminhou à Procuradoria-Geral da República (PGR) o pedido da Polícia Federal para que o presidente Jair Bolsonaro (PL) seja indiciado por relacionar a síndrome da imunodeficiência adquirida (Aids)à vacina contra a covid-19.
A Procuradoria Geral deverá se manifestar se a ação será arquivada ou se haverá a procedência. Na última quarta-feira (17), a PF concluiu e afirmou ao Supremo, em relatório, que Bolsonaro cometeu incitação ao crime e pediu autorização para indiciar o presidente.
Segundo relatório da PF,Bolsonaro disseminou informações falsas de maneira voluntária e consciente em uma live que aconteceu em outubro de 2021, onde que leu um texto que afirmava falsamente que pessoas que haviam tomado um imunizante anticovid-19 estariam "mais propensos a desenvolver a doença provocada pelo vírus HIV".
A corporação também cita o ajudante de ordens do presidente, Mauro Cid, que teria produzido o material com as informações falsas usado na transmissão.
Além do pedido de indiciamento por sua fala sobre a Aids e a vacina contra a Covid, também foi pedido o indiciamento do presidente por, na mesma transmissão, ter disseminado "a desinformação de que as vítimas da gripe espanhola,na verdade, teriam morrido em decorrência de pneumonia bacteriana,causada pelo uso de máscara, incutindo na mente dos espectadores um verdadeiro desestímulo ao seu uso no combate à covid-19".
O inquérito sobre o caso foi aberto por Moraes em dezembro do ano passado, atendendo a um pedido da CPI da Covid do Senado. Na decisão, o ministro fez críticas à estratégia da PGR de abrir apenas uma apuração preliminar interna para avaliar o caso.
"Não há dúvidas de que as condutas noticiadas do presidente da República,no sentido de propagação de notícias fraudulentas acerca da vacinação contra o covid, utilizam-se do modus operandi de esquemas de divulgação em massa nas redes sociais, revelando-se imprescindível a adoção de medidas que elucidem os fatos investigados", disse o ministro à época.
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