Na véspera do assassinato, Rivaldo alcançou o cargo máximo da Polícia Civil fluminense

Ana Rodrigues Publicado em 26/03/2024, às 08h57
O delegado Rivaldo Barbosa, ex-Diretor da Divisão de Homicídios da Polícia Civil do Estado do Rio de Janeiro, que foi preso na manhã de domingo (24) pelo envolvimento na morte da vereadora Marielle Franco, atuou para atrapalhar as investigações e exigiu que o "assassinato não acontecesse no trajeto de deslocamento ou para a Câmara Municipal do Rio de Janeiro", segundo documento.
De acordo com a CNN, a decisão que também pediu a prisão dos irmãos Brazão, o delegado foi engrenagem essencial para o plano que foi executado em 14 de março de 2018, que resultou na morte da vereadora e do motorista Anderson Gomes.
Para a polícia, Barbosa, que na época do planejamento do crime era chefe da Divisão de Homicídios do Rio de Janeiro, contribuiu para "preparação do crime, colaborando ativamente na construção do plano de execução e assegurando que não haveria atuação repressiva por parte da Polícia Civil", segundo informava o documento.
Além de "supostamente" ter recebido dinheiro por participar do plano, que terminou com a morte da vereadora, Barbosa teria visado ganhos políticos para aceitar atuar na manipulação das investigações sobre o crime.
O delegado alcançou o cargo máximo da Polícia Civil fluminense em março de 2018 e participou da cerimônia de nomeação para o cargo em 13 de março, véspera que a vereadora e o motorista Anderson Gomes foram assassinados.
Em 2017, os irmãos Brazão estavam insatisfeitos com a atuação de Marielle Franco na câmara, que pedia para a população não comprar lotes nas áreas de milícia.
Segundo a polícia, os Brazão atuam em diversas atividades criminosas, entre as quais atividades com milícias e grilagem de terras na área de Oswaldo Cruz, Zona Norte da capital carioca, reduto eleitoral da família.
A morte de Marielle foi decretada em uma reunião que aconteceu no segundo semestre daquele ano. Durante o encontro, ficou definido que uma pessoa seria infiltrada nas fileiras do PSOL e que ficou com a responsabilidade de fornecer detalhes sobre a atuação da vereadora e também sobre os percursos utilizados por ela e o motorista.
O plano dos irmãos e do delegado também contou com a ajuda do miliciano Ronnie Lessa, que ficou definido como um dos executores, sob a promessa de herdar terrenos e controlar atividades ilícitas, e passou a seguir os passos da vítima.
Os documentos ainda revelaram que o delegado se encontrou com Lessa em uma segunda ocasião e insistiu que o assassinato não podia acontecer no trajeto do trabalho de Marielle, pois temia que o crime fosse classificado com "conotação política, levando pressão às forças policiais para uma resposta eficiente", segundo documento.
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