Operação Exchange cumpriu mandados em São Paulo e na Baixada Santista, prendeu sete investigados e bloqueou até R$ 10,4 bilhões em bens e criptoativos. Empresário apontado como principal operador financeiro do grupo permanece foragido.

Ana Beatriz Publicado em 03/07/2026, às 17h25
A Polícia Federal lançou a Operação Exchange para desmantelar uma organização criminosa envolvida na lavagem de dinheiro do tráfico internacional de drogas, resultando na prisão de sete pessoas, incluindo a secretária de um empresário sancionado pelos EUA por ligações com o PCC.
A operação, que abrangeu 11 mandados de prisão e 13 de busca, revelou que mais de 70 empresas eram usadas para disfarçar a origem dos recursos ilícitos, com movimentações que incluíam criptomoedas e grandes transferências bancárias.
O principal alvo, Victor Henrique de Oliveira Shimada, considerado foragido, é acusado de estruturar um sistema financeiro clandestino; as investigações continuam para localizar outros membros da organização e rastrear o destino dos recursos envolvidos.
A Polícia Federal deflagrou, na manhã desta sexta-feira, a Operação Exchange para desarticular uma organização criminosa suspeita de movimentar recursos provenientes do tráfico internacional de drogas por meio de um sofisticado esquema de lavagem de dinheiro. A ação resultou, até o momento, na prisão de sete pessoas, entre elas Stella Stefanie Nunes Henrique de Oliveira, secretária do empresário Victor Henrique de Oliveira Shimada, ambos recentemente sancionados pelo governo dos Estados Unidos por supostas ligações com integrantes do Primeiro Comando da Capital, o PCC.
Ao todo, a Justiça expediu 11 mandados de prisão temporária e 13 mandados de busca e apreensão, cumpridos em endereços localizados na capital paulista, em Santos, Praia Grande e Santana de Parnaíba. Além das prisões, foi determinado o sequestro judicial de bens, valores e criptoativos que podem alcançar R$ 10,4 bilhões, um dos maiores bloqueios patrimoniais já determinados em investigações financeiras dessa natureza.
O principal alvo da operação é o empresário Victor Henrique de Oliveira Shimada, apontado pela Polícia Federal como o responsável por estruturar um complexo sistema financeiro clandestino destinado a ocultar e movimentar recursos ilícitos. Até a última atualização da operação, ele era considerado foragido.
Estrutura financeira sofisticada
Segundo as investigações, o grupo utilizava uma ampla rede empresarial para mascarar a origem do dinheiro do tráfico internacional. A PF afirma que mais de 70 empresas eram utilizadas para dar aparência de legalidade às operações financeiras, funcionando como um verdadeiro mecanismo de lavagem de capitais.
Os investigadores apontam que a organização movimentava recursos por meio de transferências de criptomoedas, operações bancárias de elevado valor, transporte de dinheiro em espécie e repasses entre pessoas físicas e jurídicas, dificultando o rastreamento pelas autoridades financeiras.
Um dos delegados responsáveis pela investigação classificou Shimada como um "doleiro moderno", em razão da utilização intensiva de ativos digitais e empresas para ocultar o fluxo financeiro da organização criminosa.
Sanções internacionais
A operação ocorre apenas dois dias após o governo dos Estados Unidos impor sanções econômicas contra Victor Shimada, Stella Stefanie e empresas ligadas ao grupo.
Segundo o Departamento do Tesouro norte americano, Shimada seria um elo estratégico entre integrantes do PCC instalados na Flórida e traficantes internacionais. As autoridades americanas afirmam que ele teria lavado mais de US$ 30 milhões em criptomoedas, recursos que posteriormente eram enviados ao Brasil para beneficiar integrantes da facção criminosa.
De acordo com a Polícia Federal, a divulgação das sanções pelos Estados Unidos acabou acelerando parte da operação brasileira, embora também tenha dificultado a localização de alguns investigados, incluindo o principal alvo, que permanece foragido.
Crimes investigados
Os investigados poderão responder, em tese, pelos crimes de:
As investigações continuam para identificar outros integrantes da organização, empresas utilizadas no esquema e o destino final dos recursos movimentados pelo grupo.
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