A Justiça negou o pedido de prisão preventiva do suspeito

Nathalia Jesus Publicado em 14/02/2023, às 09h14
Um policial civil é acusado de abuso sexual por uma mulher de 25 anos que procurou a polícia para fazer uma denúncia contra o namorado no 12° Departamento de Polícia de Copacabana, no Rio de Janeiro.
De acordo com o relato que consta no boletim de ocorrência ao qual o UOL teve acesso, a vítima, que não quis ser identificada, alegou que teve uma discussão com o namorado na rua e foi levada por uma viatura da Polícia Militar até o 12° DP para registrar a ocorrência.
Porém, ao chegar no local, o companheiro foi colocado em uma cela e ela desistiu de fazer o boletim contra ele.
A jovem então teria pedido que o namorado fosse solto e o policial, identificado como Genilson Barbosa Bonfim, condicinou a soltura do homem a uma relação sexual com a jovem, que cedeu. O agente de segurança teria levado a vítima até uma sala privada do DP. No local, ele teria colocado uma arma em cima da mesa e ameaçado a mulher alegando saber o seu endereço.
Patrick Rosa Barreto, advogado da jovem, afirmou que o crime teria acontecido entre às 2 e 6h da manhã do dia 03 de fevereiro. O advogado ainda acrescentou que a sua cliente foi enforcada e agredida durante a violação sexual.
A mulher relatou que, após o crime, foi liberada para ir para casa sob a promessa de que o companheiro seria solto. O homem foi liberado por volta das 8h. Porém, o advogado da vítima constatou que o crime cometido pelo jovem geraria um termo circunstanciado de ocorrência e ele seria liberado de qualquer forma.
Neste caso, Barreto concluiu que o policial teria sido "mal-intencionado" ao afirmar que o rapaz ficarai preso.
Após o abuso sexual, o acusado ainda teria entrado em contato com a vítima e trocado mensagens com ela. Em um dos recados o policial chega a elogiar as partes íntimas da jovem:

Segundo o Laudo de Exame de Corpo de Delito de Conjunção Carnal assinado pela perita legista Denise Macedo Jana no dia 4 de fevereiro, havia vestígios de violência por "ação contundente", no entanto, ainda serão necessários outros exames para que a violência sexual seja comprovada.
A mulher teria registrado o abuso na Delegacia Atendimento à Mulher (Deam), responsável por ouvir testemunhas e fazer diligências sobre o caso. O órgão pediu a prisão preventiva do suspeito, mas o requerimento não foi concedido pela Justiça.
"Em paralelo, a Corregedoria-Geral da Polícia Civil (CGPOL) instaurou sindicância e afastou imediatamente o servidor. A Polícia Civil reforça que não compactua com nenhum tipo de desvio de conduta e que todos os fatos já estão sendo apurados, assim como as medidas cabíveis serão adotadas no rigor da lei.", disse a Polícia Civil em nota.
A defesa do policial negou todas as acusações. Segundo o Sindicato dos Policiais Civis do Estado do Rio de Janeiro (SINDPOL/RJ), o agente "tem 24 anos de carreira, sem quaisquer anotações em sua ficha funcional".
"A investigação comprovará que o policial civil não cometeu os atos que lhe são imputados e que tem direito à presunção de inocência, já que nada restou provado em seu desfavor.", afirmou a defesa.
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