Investigação do Deic mira rede de falsificadores que vendia bebidas adulteradas, em meio ao aumento de casos de intoxicação por metanol

Lívia Gennari Publicado em 14/10/2025, às 15h33
O Departamento Estadual de Investigações Criminais (Deic) da Polícia Civil apontou São Paulo como um dos principais pontos de distribuição de bebidas adulteradas do país. Segundo o delegado Ronaldo Sayeg, diretor do Deic, que concedeu coletiva de imprensa nesta terça-feira (14), um dos falsificadores paulistas mantinha negociações com pelo menos seis estados brasileiros.
A declaração ocorreu após uma operação contra a adulteração de bebidas, deflagrada na manhã desta terça-feira (14), que cumpriu 20 mandados de busca e resultou na prisão de seis suspeitos. As ações ocorreram na capital, no litoral e no interior paulista.
De acordo com Sayeg, as investigações indicam que São Paulo atua como um “coração” na rede de falsificação.
Podemos dizer que São Paulo seria uma espécie de coração, que transaciona bebidas e insumos para outros estados. Um dos principais falsificadores presos na semana passada negociava com pelo menos seis estados diferentes da federação”, afirmou o diretor do Deic.
Durante a operação, a polícia localizou 13 endereços com suspeita de adulteração. Cinco pessoas foram presas por falsificação de bebidas nas cidades de Guarujá, São José dos Campos e São Paulo. Um sexto suspeito foi detido por porte ilegal de arma, mas também deve responder por falsificação.
A coordenadora da operação, delegada Leslie Caram Petrus, explicou que parte dos investigados era formada por comerciantes que vendiam bebidas falsificadas como se fossem originais.
Algumas pessoas presas hoje, são donos de bar, adega. Mantinham expostas às garrafas originais e depois, na hora da venda, vendiam as bebidas adulteradas”, afirmou a delegada.
Em alerta aos consumidores finais e comerciantes, o secretário adjunto da Segurança Pública, Nico Gonçalves, fez um alerta sobre os riscos de adquirir bebidas por valores muito abaixo do mercado.
Não existe milagre se alguém vende uma garrafa de vodca que custa normalmente R$ 100 por R$ 30. É preciso que os comerciantes tenham consciência e nos ajudem”, disse.
Atualmente, o estado de São Paulo registra 28 casos confirmados de intoxicação por metanol e mais de 100 em investigação. Cinco pessoas foram vítimas fatais da intoxicação: três na capital, uma em São Bernardo do Campo e outra em Osasco, um homem de 23 anos. O Governo de São Paulo mantém ativo um gabinete de crise para coordenar as ações de enfrentamento à crise do metanol no estado.
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