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Mulher da casa abandonada tem dívida de R$ 7 mil, saldo de R$ 83 mil e é procurada pelo FBI

O caso de Margarida Bonetti vai sendo esclarecido a cada dia. Agora, já se sabe que até procurada pelo FBI ela é

A dívida é resultado da ação de uma parente sua, que rabiscou o hall de entrada de um prédio no qual ela é proprietária de um apartamento - Imagem: reprodução Instagram
A dívida é resultado da ação de uma parente sua, que rabiscou o hall de entrada de um prédio no qual ela é proprietária de um apartamento - Imagem: reprodução Instagram

Publicado em 21/07/2022, às 15h04 Jair Viana


A Justiça de São Paulo levou quatro anos para localizar “a mulher da casa abandonada” que nos últimos dias virou manchete em quase rodos os jornais e esteve nos principais telejornais do país.

O Tribunal de Justiça estava  procurando Margarida Bonetti, a mulher que vive em uma mansão abandonada em Higienópolis, para receber uma dívida que começou em R$ 745 e hoje soma pouco mais de R$ 7 mil. Ela é procurada até pelo FBI, a polícia federal dos Estados Unidos.

A dívida é resultado da ação de uma parente sua, que rabiscou o hall de entrada de um prédio no qual ela é proprietária de um apartamento.

O Judiciário correu atrás da mulher até que a encontrou. O problema não foi resolvido, pois ela é incapaz e seus advogados não conseguem resolver o caso.

A Justiça até já encontrou endereços ligados à mulher em diferentes pesquisas feitas pelos meios judiciais. Até um prédio próximo á mansão abandonada foi encontrado, também em Higienópolis, em agosto de 2016, ela não foi encontrada naquele endereço.

Com a negativa do oficial de Justiça, o condomínio Três Barões, autor da ação contra Margarida, pediu uma consulta pelos sistemas Bacenjud, Infojud e Renajud para localizar possíveis imóveis da mulher.

Em uma das pesquisas feitas, foi encontrado um endereço na Piazza Navona, em Roma, que poderia ser de Margarida. Mesmo assim, nada aconteceu.

Depois de quatro anos, com todos os meios possíveis e disponíveis para localizar Margarida esgotados, o condomínio pediu a citação dela por edital, último recurso para deixar alguém ciente de um processo judicial.

A citação de Margarida pela Justiça, aconteceu em março do ano passado, quando a dívida, com os juros e correções, já havia alcançado a casa dos R$ 5,3 mil - hoje, está acima dos R$ 7 mil.

A própria Justiça designou advogados de uma entidade que presta atendimento gratuito à população carente de São Paulo para resolver a pendenga com o condomínio. Sem contato com a mulher, os advogados afirmaram não ter informações para apresentarem embargos de defesa.

PROCURADA

Depois de tanto tempo, a Justiça encontrou R$ 83,8 mil das contas bancárias de Margarida. Na ocasião, a dívida já chegava a R$ 7,8 mil.

Margarida Maria Vicente de Azevedo Bonetti apareceu na lista de procurados do FBI por ter mantido uma funcionária em condições análogas à escravidão nos Estados Unidos.

QUEM É

Tudo ocorreu entre os anos de 1970 e a virada dos anos 2000. Ela é filha do médico paulistano Geraldo Vicente de Azevedo e neta de Francisco de Paula Vicente de Azevedo, um dos paulistas mais importantes do seu tempo, conhecido como o Barão de Bocaina.

A mulher da casa abandonada vive no imóvel que pertenceu a seu pai. Em 1955, ele foi o chefe na Santa Casa de Misericórdia de São Paulo e realizou a primeira videolaparoscopia, procedimento cirúrgico na região do abdômen, de forma minimamente invasiva.

Ele e sua esposa, Maria de Lourdes Danso Vicente de Azevedo, moravam no casarão que atualmente vive Margarida. Além da riqueza, o casal era conhecido na região pelas ações generosas, como distribuição de comida e roupas a moradores de rua, conforme detalhou o jornalista Chico Felitti no podcast.

Enquanto o médico faleceu em 1998, aos 91 anos, Maria de Lourdes morou com Margarida até 2011, ano de seu falecimento. Mas, antes disso, viu a herdeira ser acusada do crime e retornar às pressas para o Brasil.

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