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MP de Rio Preto pede interdição de clínica suspeita de cárcere privado

O Ministério Público pediu a interdição de uma clínica para dependentes químicos que funcionava em uma chácara, em São José do Rio Preto (SP). Segundo

MP de Rio Preto pede interdição de clínica suspeita de cárcere privado
MP de Rio Preto pede interdição de clínica suspeita de cárcere privado

Redação Publicado em 03/12/2016, às 00h00 - Atualizado às 18h14


Força-tarefa retirou todos os internos da clínica nesta quinta-feira (1º).
Internos foram levados para outras instituições em Rio Preto (SP).

O Ministério Público pediu a interdição de uma clínica para dependentes químicos que funcionava em uma chácara, em São José do Rio Preto (SP). Segundo informações da polícia, a denúncia diz que adultos e menores eram agredidos no local e mantidos em cárcere privado. Os pacientes foram retirados do local na noite desta quinta-feira (1º).

Os promotores chegaram até a clínica de recuperação depois de uma denúncia anônima feita por parentes de um dos internos. Segundo o Ministério Público, menores e adultos estavam sendo agredidos e mantidos em cárcere privado dentro da unidade que trata dependentes químicos.

Internos confessaram que sofriam agressões físicas (Foto: Reprodução / TV TEM)

Internos confessaram que sofriam agressões físicas (Foto: Reprodução / TV TEM)

Diversas viaturas da Polícia Militar estiveram no local e uma ambulância do Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu) foi chamada para socorrer quem estava ferido. Um carro do Conselho Tutelar deixou a clínica levando quatro menores. Dos 44 internos, 16 foram levados para o albergue municipal.

Pais que tinham filhos internados na clínica foram até o local na noite desta quinta-feira buscá-los. Na saída eles disseram que estão impressionados e chocados com o teor das denúncias. As famílias pagavam mensalidades com valores entre R$ 1 mil e R$ 1,9 mil.

Na saída da clínica um dos internos denunciou o que acontecia lá dentro. “Eu não posso dizer comigo, mas tinham algumas pessoas que resistiam a algum tratamento e eram agredidos. Eles não faziam isso na frente dos internos. Eles levavam para salinha dos fundos”, diz.

Outro interno, que não quis ser identificado, falou com a reportagem e confessou ter medo de mostrar o rosto e está bastante assustado. “Eu mesmo já vi menores apanhando, sendo espancados. Até mesmo um chutou a cabeça deles. Um dos internos, que já foi embora, apanhou duas vezes. Derrubaram ele no chão, doparam ele com remédio. Já aconteceram outras coisas que a gente não via, porque levavam os internos para o lado de cima, e a gente não via, porque a gente ficava trancado, acorrentado lá dentro”, diz o menor.
Denúncia anônima levou policiais até a clinica de recuperação (Foto: Reprodução / TV TEM)

Denúncia anônima levou policiais até a clinica de recuperação (Foto: Reprodução / TV TEM)

No final do dia um ônibus chegou ao local para buscar o restante dos internos que moram em outras cidades. “As pessoas que moram em outras cidades, nós estamos fazendo o encaminhamento. Os adultos são encaminhados para o albergue municipal e os adolescentes estão em uma entidade de recâmbio”, diz o promotor de justiça André Luís de Souza.

Segundo o promotor, além das agressões, a clínica estava sem alvarás para o funcionamento. “O local não havia alvará do Corpo de Bombeiros, alvará de licença para o funcionamento e da Vigilância Sanitária. Questionamos os responsáveis e nenhum documento foi entregue ao Ministério Público”, afirma o promotor.

Os internos e o dono da clínica foram levados para o plantão policial onde a ocorrência foi registrada. “Alguns internos vieram prestar depoimentos, pois estavam na clínica contra a sua vontade e foram internados involuntariamente”, diz o capitão Polícia Militar Márcio Garcia.

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